Rio de Janeiro, 09 de Maio de 2026

Wagner quer saída negociada na Câmara e Lula aponta mosca azul

Sexta, 16 de Setembro de 2005 às 14:10, por: CdB

O Planalto estimula uma solução negociada entre os partidos para a eventual substituição do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), disse nesta sexta-feira o ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner, após a inauguração do Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, em Maceió.

- A questão da Câmara requer uma resposta da instituição.Ela não pode se transformar numa extensão do governo nem em bastião da oposição - disse Wagner.
 
Mesmo trabalhando com a provável renúncia de Severino, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva critica o lançamento e a discussão de nomes antes que o próprio presidente da Câmara anuncie sua decisão, acrescentou Wagner.

- Tem muita gente aí picada pela mosca azul - comentou Lula numa conversa com dirigentes políticos ao no final da manhã, antes de embarcar de volta a Brasília, segundo um dos presentes a essa conversa.

Para Wagner, a saída de Severino proporcionará aos partidos encontrar essa fórmula, que ele chama de "solução institucional", desde que as legendas do governo e da oposição não tentem transformar a sucessão numa disputa política.

- Não acho que existam critérios acima de qualquer discussão, como a proporcionalidade ou a imposição automática de maiorias partidárias - disse o ministro.

- O ponto de partida para a conversa, definida a situação do presidente Severino, é a ausência de vetos, venham da oposição ou da base do governo - acrescentou.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também presente à inauguração, defendeu uma solução "de entendimento" para o caso de Severino.

- Não faltam nomes, falta construir um consenso que permita à Câmara retomar a normalidade e as votações de interesse do país - disse Renan.

Entre os hipotéticos sucessores de Severino, Renan listou, elogiando todos, o ex-ministro Aldo Rebelo (PCdoB), o ex-presidente da Câmara Michel Temer (PMDB-SP), o relator da CPI dos Correio, Osmar Serraglio (PMDB-PR), o líder do PSDB, Alberto Goldman (SP), os petistas Paulo Delgado (MG), Sigmaringa Seixas (DF) e José Eduardo Cardoso (SP), além do líder do Governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Chinaglia também participou da inauguração do aeroporto e é um dos que mais vêm se movimentando para obter apoios, apesar da advertência de Lula sobre a precipitação das candidaturas.

O primeiro vice-presidente da Câmara, José Thomaz Nonô (PFL-AL), também presente, narrou a Lula conversa que teve com Severino quinta-feira em Brasília.

- Ele está angustiado com a situação e disse que deve se decidir até quarta-feira. Enquanto isso, tentamos realizar as votações normalmente - contou Nonô.
 
Lula elogiou Nonô pela condução da sessão que cassou o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), nesta quarta-feira.

- O presidente não fez comentários sobre o Jefferson, apenas me cumprimentou pela maneira serena como tudo ocorreu, pois sabe das dificuldades que envolvem uma sessão desse tipo - disse o deputado.

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