Por Redação, com Reuters - de São Paulo/Paris:
O diretor-geral da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês), David Howman, enviou uma carta ao ministro brasileiro do Esporte, George Hilton, cobrando a criação de um tribunal independente para casos de doping a tempo dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em agosto.
O país precisa aprovar até 18 de março a criação de um tribunal independente para julgar casos de doping no esporte, separado das atuais instâncias da Justiça desportiva, sob pena de ser descredenciado pela Wada. O governo federal estuda caminhos para alterar nos próximos dias a legislação desportiva.
– A criação desse tribunal é um passo significante e importante para o esporte limpo no Brasil, e a sua existência não pode ser comprometida – disse Howman na carta, divulgada pelo Ministério do Esporte na terça-feira.
No fim do ano passado, o Brasil foi incluído na lista de países com pendências que vão perder o credenciamento do Wada caso não regularizarem as questões até a próxima reunião do órgão internacional, em março.
O descumprimento dessas regras resultará na suspensão do credenciamento do Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD), que ficará impossibilitado de realizar testes de doping durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos da Rio 2016.
Caso o Brasil não tenha o direito de realizar exames antidoping, eles deverão ser feitos em outro país, como ocorreu na Copa do Mundo de 2014, quando os testes foram realizados em Lausanne, na Suíça.
Investigação
Juízes franceses que investigam a corrupção no atletismo ampliaram o inquérito para apurar as condições sob as quais o Rio de Janeiro foi eleito a sede dos Jogos Olímpicos de 2016 e Tóquio foi escolhida para receber a Olimpíada de 2020, segundo a procuradoria financeira da França.
– Estamos olhando para esses elementos, mas neste estágio é uma questão de verificação. Nada foi provado – disse uma autoridade do gabinete da promotoria, confirmando uma reportagem do jornal britânico The Guardian.
Em resposta, o Comitê Rio 2016 afirmou que a cidade venceu a disputa em 2009 contra Madri, Tóquio e Chicago porque tinha o melhor projeto, e descartou qualquer possibilidade de fraude na votação realizada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em Copenhague.
– O Rio de Janeiro ganhou o direito de sediar os Jogos porque tinha o melhor projeto. A diferença de votos no final, 66 a 32 (contra Madri), exclui qualquer possibilidade de uma eleição que pudesse estar viciada – disse à agência inglesa de notícias Reuters por telefone o diretor de Comunicação do Comitê Rio 2016, Mario Andrada.
– Os procuradores franceses e o jornal The Guardian não fazem qualquer referência à candidatura Rio 2016, apenas citam a cidade como referência de um processo que, segundo eles, teve um problema na fase preliminar – acrescentou.
Acusações de corrupção no mundo do atletismo surgiram no ano passado e até agora estavam concentradas principalmente em eventos realizados pela Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf, na sigla em inglês).
A investigação francesa foi aberta em dezembro em resposta a reportagens na imprensa que questionavam como a Iaaf definiu a cidade de Eugene, nos Estados Unidos, como sede de seu campeonato mundial de 2021.
O COI disse nesta terça que agirá em caso de qualquer evidência obtida pelos procuradores franceses. "Quando tivermos evidência que nos for mostrada, vamos agir em cima disso. É algo fácil de se falar, mas ninguém tem qualquer evidência", disse o porta-voz Mark Adams.
O COI teve de fazer uma limpeza interna há mais de 15 anos quando uma investigação antes dos Jogos de Inverno de Salt Lake City em 2002 provocou o maior escândalo de corrupção envolvendo membros da entidade. Dez deles renunciaram ou foram expulsos em conexão com subornos, e as regras do COI se tornaram mais rígidas.
Em janeiro, dois altos dirigentes do atletismo russo e o filho do ex-presidente da Iaaf Lamine Diack foram banidos do esporte por toda a vida por encobrirem um exame antidoping positivo de uma atleta da elite russa e a chantagearem por isso.
As punições foram impostas após um relatório no ano passadode uma comissão independente da Agência Mundial Antidoping (Wada) que denunciou a existência de uma cultura de doping no atletismo russo patrocinada pelo Estado, que resultou na suspensão internacional do país em competições da modalidade.