Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

VW caminha na direção de se tornar maior produtora mundial de veículos

Sexta, 14 de Agosto de 2009 às 09:15, por: CdB

A compra da montadora Porsche eleva a Volkswagen para a tendência de se transformar na maior fabricante de automóveis do mundo e superar a japonesa Toyota, em um processo que terminará em 2011. A Volkswagen quer fazer uma ampliação de capital de 4 bilhões de euros para financiar a aquisição da Porsche e manter a liquidez da empresa. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira, pelo diretor Financeiro da Volkswagen, Hans Dieter Pötsch, a jornalistas, quando falou sobre os detalhes do processo de criação de um novo consórcio automobilístico no qual a Porsche será integrada como a décima marca da companhia.

Executivo-chefe da empresa, Martin Winterkorn disse que o nome do novo consórcio integrado por Volkswagen e Porsche ainda não foi decidido. As duas firmas decidiram, na véspera, criar um consórcio automobilístico integrado sob a direção da Volkswagen. A sede do novo consórcio ficará em Wolfsburg, onde atualmente também está a sede da montadora alemã.

Pötsch explicou que a empresa realizará uma ampliação de capital de 4 bilhões de euros (US$ 5,68 bilhões) com a emissão de novas ações preferenciais no primeiro semestre de 2010, que deverá ser aprovada pelos acionistas em uma junta extraordinária no final deste ano. A emissão permitirá à Volkswagen manter sua liquidez e ao Estado da Baixa Saxônia permanecer com sua participação de 20% na firma.

Graças à chamada lei Volkswagen, a Baixa Saxônia conservará sua minoria de bloqueio em decisões importantes e os dois representantes no conselho de administração. Pötsch explicou que a Volkswagen poderá economizar até 3 bilhões de euros com a aquisição da Porsche, o que gerará um saldo positivo de 700 milhões de euros anuais no lucro operacional da maior fabricante de automóveis da Europa.

Em primeiro lugar, a Volkswagen comprará uma participação de 42% na Porsche AG no valor de 3,3 bilhões de euros (US$ 4,686 bilhões). A empresa também comprará das famílias Porsche e Piëch a concessionária da Porsche em Salzburgo. Com o dinheiro gerado por esta venda, a Porsche fará uma ampliação de capital para melhorar sua situação financeira. A Volkswagen insistiu em que o acordo foi negociado entre a empresa, a Porsche, as famílias Porsche-Piëch, e pelos representantes dos funcionários das empresas.

O presidente do comitê de empresa da Volkswagen, Bernd Osterloh, disse que os trabalhadores da companhia terão uma participação de entre 1% e 5% na nova firma conjunta com a Porsche, que seguirá sendo uma sociedade independente com sede em Zuffenhausen, sudoeste da Alemanha. O consórcio integrado terá um volume de vendas anual de 6,4 milhões de veículos, e mais de 400 mil funcionários, segundo dados da Volkswagen. O Emirado do Catar se tornará investidor financeiro com uma participação de 17% na Volkswagen e não poderá superar os 20% que o Estado de Baixo Saxônia detém.

A operação de aquisição avalia o conjunto da Porsche Holding SE em 12,4 bilhões de euros (US$ 17,608 bilhões). No final de julho a Porsche destituiu seu executivo-chefe, Wendelin Wiedeking, pelo fracasso da tentativa de obter o controle da Volkswagen, operação pela qual o produtor de veículos esportivos teve que contrair fortes dívidas. A transação também originou uma dura luta de poder com Ferdinand Piëch, proprietário da Porsche e presidente do conselho de administração da Volkswagen.

A integração da Volkswagen permitirá ao produtor de veículos esportivos reduzir uma dívida que ainda não deixou claro a quanto chega, mas que os especialistas calculam em 14 bilhões de euros. A crise financeira e econômica e erros estratégicos ao não conseguir o apoio do Estado da Baixa Saxônia truncaram os planos de Wiedeking.

A Porsche Automobil Holding SE reúne as atividades operativas da Porsche (Porsche AG) como uma filial e a participação de quase 51% na Volkswagen. Com isso, as famílias Porsche-Piëch, proprietárias da Porsche, continuam sendo o acionista majoritário da Volkswagen. Com a criação de um consórcio automobilístico integrado, que produza veículos de pequeno porte, de luxo, esportivos e caminhões, o sonho de Piëch se concretiza.

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