Rio de Janeiro, 06 de Outubro de 2026

Vovôs e Vovós

Quinta, 28 de Julho de 2011 às 09:41, por: CdB

Sehá uma pastoral que chegou em boa hora, é a "Pastoral da Pessoa Idosa”. Comoconvém a adultos, ela nasceu andando: foi assumida pela falecida Doutora ZildaArns. Ao passar para outros a coordenação da Pastoral da Criança, abraçou comvigor de jovem e com experiência de veterana, a causa das pessoas idosas.

Sábia e experimentada com a importância decunhar um nome emblemático para a nova pastoral que estava surgindo, a DoutoraZilda não embarcou na artificialidade de algumas expressões que parecemtraduzir constrangimento diante do envelhecimento humano, falando em "melhoridade” ou "terceira idade”. Ela preferiu o jogo aberto e franco da "pastoral dapessoa idosa”. Ter idade não é desdouro, não é vergonha, não é desgraça.

Aocontrário, chegar à velhice é um privilégio, uma conquista, uma vitória pessoale uma graça para a família e para a sociedade.

Paraque isto aconteça, a Pastoral da Pessoa idosa se propõe realizar um trabalho deapoio, de organização, e de clima favorável à acolhida e valorização daspessoas idosas.

Osresultados são surpreendentes. Há muitas pessoas idosas que passaram a seassumir melhor, tomando os cuidados indispensáveis para a saúde, assimilandopráticas de exercícios que vão mantendo o corpo sadio e o espírito alerta edisposto a administrar a própria vida.

Ocalendário litúrgico, há muito tempo, escalou dois padroeiros de primeira linhapara as pessoas idosas. Nada mais e nada menos do que São Joaquim e Sant’Ana,os pais de Maria, e portanto, os avós de Jesus. Com a Pastoral da Pessoa Idosa,até eles passam a merecer um destaque maior na divulgação dos seus nomes, e damissão que a Igreja lhes atribui, como patronos das pessoas idosas. A exemplodos dois santos, os idosos também podem expressar gratidão pelos anos vividos,pela missão cumprida, e pela confiança diante do futuro, com a serenidade queJoaquim e Ana inspiram e infundem.

Mas,a Pastoral da Pessoa Idosa não esconde problemas sérios que o aumento dapopulação adulta deixa entrever. A demografia comprova, de fato, que a faixaetária dos sessenta para cima, vem aumentando expressivamente. Até pouco tempoatrás se dizia que o Brasil era um país de jovens. Agora já não é mais. Osidosos vão marcando uma presença sempre maior.

Istose deve, em parte, ao fato evidente do aumento da duração da vida humana.Vivemos mais tempo, e isto é muito bom, é uma boa notícia que deveria levar atodos a se prepararem para uma velhice digna e feliz. A média de vida, noBrasil, passou rapidamente, dos sessenta para o setenta anos, atingindo agorajá a cifra de aproximadamente setenta e três anos.

Mas o expressivo crescimento proporcional daspessoas idosas se deve também à rápida, e preocupante, diminuição da natalidadena população brasileira. A queda foi brusca e generalizada, em todas as regiõese contextos da população brasileira, demonstrando ser irreversível, o que atorna mais preocupante ainda.

Apopulação brasileira está perdendo vitalidade. É preciso dar-nos conta destefato, para perceber a importância que tem a família, e o apoio que a sociedadee o Estado lhes devem.

Diantedeste fato se relativizam outras reivindicações, mais espalhafatosas e inócuas.Quem merece nosso apoio são as famílias, capazes de nos dar a alegria de vidasnovas, que garantam o futuro deste país, tão pródigo em recursos vitais, ameaçadode carregar o estigma da infertilidade.

No Brasil há lugar para as pessoas idosas. Masse faltam as crianças, todas as outras faixas etárias ficam comprometidas. Atéporque a alegria maior dos vovôs é transmitir carinho aos seus netos.

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