Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Votorantim esquenta a briga por cimenteira portuguesa e desafia a CSN

Segunda, 18 de Janeiro de 2010 às 09:51, por: CdB

A Votorantim planeja se juntar à produtora de aço CSN e ao grupo Camargo Corrêa na disputa pela produtora de cimento Cimpor, afirmou um jornal português nesta segunda-feira. O Jornal de Negócios publicou, sem identificar fontes, que a Votorantim contratou o Deutsche Bank para preparar sua oferta, que deve visar uma fatia minoritária na Cimpor, e contratou advogados em Portugal para conselhos jurídicos. Representantes da Votorantim, maior produtor de cimento do Brasil, não estavam imediatamente disponíveis para comentar o assunto em Portugal e no Brasil.

Os interesses de empresas brasileiras em produtoras de cimento aumenta com o maior país da América Latina se preparando para o boom na construção antes da Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016. A Cimpor é alvo de uma oferta hostil da CSN, que no mês passado se ofereceu para comprar pelo menos 50% mais uma ação da Cimpor a 5,75 euros por ação, avaliando a empresa em 3,86 bilhões de euros (US$ 5,56 bilhões).

O conselho de diretores da Cimpor rejeitou a oferta, mas a CSN afirmou que continua a buscar um acordo com os acionistas da Cimpor. Analistas esperam que a oferta seja melhorada. No domingo, o grupo Camargo Corrêa reiterou seu interesse na Cimpor e disse que está considerando opções depois que a comissão reguladora do mercado acionário português determinou que o grupo brasileiro precisa apresentar uma contra-oferta de aquisição da Cimpor ou retirar sua oferta de fusão.

A oferta apresentada pela Camargo Corrêa na quarta-feira envolve a compra de entre 15% e 25% da Cimpor e uma fusão com as operações de cimento das duas empresas. O Jornal de Negócios disse que a recusa da oferta da Camargo Corrêa significa que a Votorantim pode precisar modificar seus planos de comprar uma fatia minoritária.

Interesse reiterado

A Camargo Corrêa, rival da Votorantim e da Camargo Corrêa, reiterou interesse sério na Cimentos de Portugal e informou que avalia opções após a órgão regulador do mercado acionário português (CMVM) ter determinado que o grupo brasileiro tem que lançar uma oferta concorrente à da Companhia Siderúrgica Nacional ou então retirar sua proposta de fusão com a cimenteira.

"A Camargo Corrêa, tendo tomado conhecimento da decisão divulgada pela CMVM, reitera interesse sério e não oportunístico numa solução que permita otimizar o valor das sinergias e o potencial de crescimento conjunto", afirmou o grupo em comunicado.

A empresa afirmou ainda que sua proposta está baseada "numa lógica industrial sólida e de longo prazo, com a convicção -- que aliás não é recente -- de que essa é uma proposta de valor para os acionistas de ambas as empresas".

"Face à posição divulgada pela CMVM, à qual responderá em devido tempo e pela forma adequada, a Camargo Corrêa está a ponderar as opções ao seu dispor", afirma o grupo.

Na semana passada, a Camargo Corrêa propôs uma fusão com integração das suas operações de cimentos na Cimpor, mas sem oferecer qualquer contrapartida por cada ação da cimenteira líder de Portugal.

A oferta foi uma resposta à proposta de aquisição da Cimpor feita pela CSN, por 3,86 bilhões de euros, lançado há um mês. A proposta da CSN prevê 5,75 euros por ação de Cimpor, mas foi rejeitada pelo conselho de administração da cimenteira portuguesa.

A CMVM deu 10 dias à Camargo Corrêa para adequar sua proposta ao regime das ofertas concorrentes ou retirá-la.

De acordo com o Código de Valores Mobiliários da CMVM, "as ofertas concorrentes não podem incidir sobre quantidade de valores mobiliários inferior àquela que é objeto da oferta inicial".

Pelas regras de Portugal, a contrapartida da oferta concorrente deve ser superior à antecedente em pelo menos 2% do seu valor e não pode conter condições que a tornem menos favorável.

A oferta da CSN está condicionada à empresa obter mais de 50% de participação na Cimpor.

A Cimpor está entre as 10 maiores produtoras de cimento do mundo, com uma capacidade de produção de 36 milhões de toneladas anuais com clinker próprio.

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