Rio de Janeiro, 19 de Janeiro de 2026

Voto de centro pesa na eleição francesa

A batalha entre a direita, do candidato Nicolas Sarkozy, e a esquerda, representada pela socialista Ségolène Royal, para vencer o segundo turno das eleições presidenciais na França, no dia 6 de maio, deve ser decidida pelo voto do centro. Mesmo derrotado no primeiro turno, o eleitorado do centrista François Bayrou vai ter grande peso no pleito derradeiro. (Leia Mais)

Terça, 24 de Abril de 2007 às 08:40, por: CdB

A batalha entre a direita, do candidato Nicolas Sarkozy, e a esquerda, representada pela socialista Ségolène Royal, para vencer o segundo turno das eleições presidenciais na França, no dia 6 de maio, deve ser decidida pelo voto do centro. Mesmo derrotado no primeiro turno, o eleitorado do centrista François Bayrou vai ter grande peso no pleito derradeiro. Ele obteve 18,57% no domingo, o triplo do total de votos que registrou nas eleições presidenciais de 2.002. Quase 7 milhões de franceses votaram em Bayrou, no primeiro turno.

Seu eleitorado, que reuniu opositores à linha dura da direita, representada por Sarkozy, mas também simpatizantes da social-democracia pouco convencidos pelo programa de Royal, será fortemente disputado pelos dois rivais que se enfrentam no segundo turno.

- O resultado vai ser ditado pelo comportamento dos eleitores de Bayrou. São eles que farão a diferença. A campanha do segundo turno vai ser essencialmente voltada para o centro. O problema é saber se os eleitores de Bayrou vão entrar na lógica de um debate pró ou anti-Sarkozy. Ou se eles voltarão para seus campos de origem, a esquerda e a direita - diz Roland Cayrol, analista político e diretor do instituto de sondagens CSA.

Centro dividido

As primeiras pesquisas indicam que o centro vai se dividir entre a direita e a esquerda. Segundo uma pesquisa do instituto Ifop, divulgada após o anúncio dos resultados do primeiro turno, 54% dos eleitores de Bayrou votarão em Sarkozy no segundo turno. De acordo com outra pesquisa, do instituto CSA, 45% dos eleitores de Bayrou votarão em Ségolène Royal, contra 39% que escolherão Sarkozy e 16% que votarão em branco.

A posição de Bayrou está sendo aguardada com ansiedade pelos campos dos dois finalistas da eleição presidencial. Bayrou não se pronunciou até o momento sobre as orientações que dará ao seu eleitorado. Ele afirmou que irá "ouvir as declarações dos dois finalistas antes de se pronunciar a favor de um deles".

O centrista anunciou que na próxima quarta-feira vai realizar uma coletiva de imprensa para dizer "coisas simples e compreensíveis".

Impasse

Bayrou está em um impasse. Após ter criticado fortemente Sarkozy e seu projeto de "uma sociedade dura e violenta" durante semanas, fica difícil imaginar como o centrista poderia pedir votos para seu rival à direita. Mesmo tendo criticado menos a candidata Ségolène Royal, os analistas estimam que também será difícil para ele pedir votos para a candidata socialista, por ser defender uma política economica liberal, oposta aos ideais socialistas.

Os dois partidos já buscam uma aproximação com Bayrou e seus correligionários. Partidários de Nicolas Sarkozy chegaram a prometeram cargos no futuro governo, caso vençam as eleições. O ministro da Coesão Social, Jean-Louis Borloo, do partido de Bayrou, mas que decidiu apoiar Sarkozy nas presidenciais, disse que é "indispensável que membros da UDF participem em massa do próximo governo". Representantes do partido socialista chegaram a defender, antes do primeiro turno, uma aliança com Bayrou.

Tags:
Edições digital e impressa