Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Votação termina na Índia e não deve dar maioria ao governo

Segunda, 10 de Maio de 2004 às 14:24, por: CdB

Terminou na segunda-feira a maratona eleitoral na Índia, e as pesquisas mostram que a coalizão governista não deve conseguir a maioria absoluta, o que coloca em risco as reformas econômicas no país.

A boca-de-urna apresentada pela TV indiana diz que a coalizão liderada pelo Partido Bharatiya Janata (BJP), do primeiro-ministro Atal Behari Vajpayee, deve ficar com entre 230 e 278 das 545 cadeiras da Câmara.

Embora dessa forma Vajpayee continue favorito para formar um novo governo, ele provavelmente terá de atrair pequenos partidos populistas para ampliar a coalizão. O resultado oficial deve ser anunciado na quinta-feira.

"Eles terão de mobilizar o apoio de grupos menores, independentes, para atingirem a maioria simples", disse o presidente do Centro de Estudos da Mídia, Bhaskar Rao, à Reuters.

"Eles continuam como favoritos. Acho que vão conseguir formar o governo, mas com alguma dificuldade."

Três das cinco pesquisas de boca-de-urna já divulgadas mostram que o BJP e seus aliados vão ficar bem aquém das 250 cadeiras. A maioria dos analistas diz que, com menos de 240, Vajpayee teria dificuldades para formar o governo, mas acima de 250 ele estaria praticamente garantido.

O mercado financeiro indiano se ressentiu da possibilidade de uma coalizão turbulenta retardar o ritmo das reformas de que o país necessita para se tornar uma potência global, especialmente no que diz respeito a privatizações e redução dos empréstimos públicos.

Mas Manas Paul, economista-chefe da Securities Trading Corporation of India, disse que a coalizão do BJP parece destinada a vencer. "Acho que as reformas econômicas iniciadas pela coalizão vão continuar de maneira tranquila", afirmou.

Dezenas de milhões de indianos desafiaram o calor na segunda-feira para votar em 182 distritos de 16 Estados, na última e maior fase das eleições, que duraram três semanas.

"Para atingirmos resultados neste país precisamos de um governo estável, que ofereça progresso ao país e não se preocupe em sobreviver o tempo todo", disse o empresário Ratan Khemani, que votou em Calcutá. "Acho que o BJP é a melhor aposta."

Ramesh Kumar, chofer de um riquixá motorizado, discorda. "Os ricos se tornaram mais ricos e os pobres só ficaram mais pobres", disse ele, em uma seção eleitoral próxima.

"O BJP só parece interessado nas pessoas que dirigem carros e falam em celulares, não em choferes de riquixás motorizados, como eu."

Vajpayee, de 79 anos, convocou as eleições seis meses antes do previsto, para se aproveitar da economia robusta, das monções amenas e da reaproximação com o inimigo Paquistão. Antes do começo da votação, as pesquisas mostravam que ele conseguiria com facilidade controlar 300 cadeiras na Câmara.

Mas o slogan "Índia brilhante", usado na campanha do partido, não teve impacto junto ao eleitorado rural e pobre, e na metade do caminho o BJP passou a se apresentar como o único grupo capaz de criar uma coalizão estável no fracionado mundo da política indiana.

Em entrevista na segunda-feira ao jornal Tribune, Vajpayee disse que preferia formar uma coalizão apenas com partidos grandes, mas admitiu que a aliança está "aberta a todos os partidos que apóiem nossa plataforma de desenvolvimento, bom governo e paz."

O índice de referência na Bolsa de Bombaim caiu quase 2 por cento na segunda-feira. Desde as primeiras pesquisas de boca-de-urna, há duas semanas, a queda já é de quase 6 por cento. A rúpia também caiu 1 por cento e fechou no seu valor mais baixo em sete semanas. Nos títulos públicos, o valor é o menos em quase dois meses.

O Partido do Congresso, o maior da oposição, aparentemente se saiu muito melhor do que o esperado, embora sua líder, a italiana Sonia Gandhi, ainda seja menos popular que Vajpayee.

Para atrair o eleitorado moderado, o BJP atenuou sua retórica hindu-nacionalista. Mas muitos indianos culpam o partido pelas tensões entre a maioria hindu e as minorias muçulmanas, especialmente durante os confrontos em Gujarat, e

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