Rio de Janeiro, 19 de Maio de 2026

Votação no Parlamento confirma eleição antecipada na Alemanha

Sexta, 01 de Julho de 2005 às 06:16, por: CdB

O chanceler alemão Gerhard Schroeder conseguiu na sexta-feira perder um voto de confiança no Parlamento. A medida era necessária para manter seu objetivo de realizar eleições em setembro, nas quais enfrentará a líder conservadora Angela Merkel.

A votação no Bundestag (Câmara dos Deputados) abre caminho para a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições antecipadas. Schroeder diz que precisa de um novo mandato para implantar suas impopulares reformas econômicas. Foram 296 votos pela dissolução do Parlamento, 151 contra e 148 abstenções.

Mas ainda há alguns obstáculos no caminho da eleição. O presidente Horst Koehler, única pessoa habilitada a dissolver o Parlamento, agora precisa decidir se o voto de confiança está de acordo com a Constituição.

Koehler, ex-diretor do FMI que nesta sexta-feira completa um ano no protocolar cargo de presidente da República, terá 21 dias para se manifestar. Por enquanto, deu poucas pistas de como irá agir.

Schroeder, chanceler há sete anos, surpreendeu o país em 22 de maio, quando anunciou a intenção de antecipar em um ano as eleições federais, depois de uma dura derrota do seu partido no Estado da Renânia do Norte-Westfália.

As pesquisas dizem que a oposição conservadora do SPD, com Merkel à frente, tem entre 17 e 21 pontos percentuais de vantagem sobre os social-democratas. O descontentamento com o governo se deve ao desemprego recorde e às reformas neoliberais do governo, incapazes de dar impulso à maior economia européia.

Ao tomar sua decisão, Koehler terá em mente que a maioria dos alemães, os principais partidos e os mercados financeiros querem a eleição antecipada.

Também existe um precedente. Em 1982, o então chanceler Helmut Kohl deliberadamente perdeu um voto de confiança para reforçar suas maioria parlamentar - uma manobra tolerada com reservas pela Corte Constitucional.

Alguns parlamentares e vários pequenos partidos prometeram ir à Justiça contra a manobra de Schroeder, que o permite disputar um terceiro mandato apesar de não receber o voto de confiança.

A Corte Constitucional provavelmente terá de se pronunciar a respeito e poderá vetar uma eventual decisão de Koehler pela convocação das eleições antecipadas.

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