Rio de Janeiro, 10 de Fevereiro de 2026

Vôo 3054 recebeu duas informações diferentes sobre pista em menos de 15 minutos

Quinta, 09 de Agosto de 2007 às 16:02, por: CdB

Os pilotos do Airbus A320 da TAM, que colidiu com um prédio próximo ao aeroporto de Congonhas, recebeu duas informações diferentes sobre a situação da pista de Congonhas em 14 minutos. Uma da controladora de vôo que estava presente no centro de aproximação do aeroporto e outra do controlador da torre de Congonhas. Na primeira informação não houve o alerta de "pista escorregadia", mas na segunda aconteceu a recomendação. É o que mostra a gravação do áudio da conversa entre pilotos e controladores, divulgada nesta quinta-feira durante sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo da Câmara dos Deputados.

O primeiro relato sobre a pista com os pilotos foi feito às 18h34 pelo horário local de São Paulo. O diálogo partiu do piloto: "A torre poderia informar ao 3054 da TAM se chove em Congonhas?". Na seqüência, a controladora de vôo do centro de aproximação, Ziloá Miranda Pereira, respondeu: "Chuva leve e contínua. A pista está molhada, mas não foi reportada ainda escorredia, ok?!". Quatorze minutos depois, o piloto repete o pedido de informações: "TAM na final de duas milhas. Poderia me confirmar as condições?". O controlador de vôo na torre, Celso Domingos Alves Junior, que autorizou o pouso, informou: "Pista molhada e escorregadia".

O controlador explicou que seu turno na operação da torre começou em Congonhas às 18 horas e que, durante esse período, não houve comunicados oficiais dos pilotos de que a pista estava escorregia. Segundo o livro de registros e o depoimento do controlador na CPI, o último comunicado foi feito às 17h04 pelo vôo 1697 da empresa Gol. Indagado pela deputada Luciana Genro (P-Sol-RS) sobre os motivos para que ele informasse pista escorregadia ao mesmo tempo em que ele afirma que não houve registro de pista escorregadia em seu turno, o controlador Celso Domingos afirmou que é praxe após qualquer comunicado.

— Não no meu turno [registro de pista escorregadia]. Por volta das 17h05 da tarde, houve um 'reporte' de pista escorregadia. Após um 'reporte' de pista escorregadia a informação que a gente tem a gente tenta repassar para o restante dos pilotos da final —, complementa o militar em referência ao procedimento final das aeronaves para pousar nos aeroportos. Segundo o relator da CPI, deputado Marco Maia (PT-RS), haveria uma contradição na postura dos dois controladores.

— Acho que ali tem uma contradição. Nós vamos precisar checá-la com o tempo, com as informações que foram repassadas, e as informações que nós temos nos registros que são feitos pelos controladores de vôo na torre e no APP [centros de aproximação] —, explica o relator.

 

Indagado se pode ter acontecido falhas no diálogo com os pilotos, o relator responde que sim.

 

— Pode. Pode ter acontecido. Agora, essa falha de comunicação neste momento não me pareceu relevante para a ocorrência do acidente, mas ela pode demonstrar um problema de comunicação entre a torre e a aproximação na torre de Congonha —, respondeu.

O relato oficial no livro de registros da torre anota o termo "pista escorregadia" precedido do código "s/", que poderia significar "sem" ou "sobre". Caso aponte o termo "sem" o livro registra o contrário do que a gravação mostra sobre o aviso da torre sobre "pista escorregadia".
Após o relato do operador da torre registrar que o vôo 3054 vinha "em final normal", há anotação de que os pilotos foram informados "s/ pista escorregadia" (veja imagem na reportagem). A CPI não discutiu o assunto, nem os controladores apres

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