Cenas do sofrimento de Jesus até o calvário e logo depois um almoço farto para aqueles que jejuam forçosamente quase todos os dias do ano. Este foi o presente de Páscoa que o grupo católico Fraternidade Pastoral de Maria, de Brasília, ofereceu neste sábado a cerca de 300 moradores de rua da capital federal. Pela manhã, eles se reuniram na Catedral Militar Rainha da Paz e assistiram atentamente ao teatro dos voluntários, que contou a via sacra de Jesus do tribunal de Pilatos até o calvário.
"É para celebrar a paixão de Cristo, mas mostrar que a paixão de Jesus não termina na cruz, mas continua nas pessoas pobres. No sofrimento do mundo, em toda a doença, em todo vício está o sofrimento", explicou o arcebispo militar do Brasil, Dom Geraldo Ávila.
Durante a encenação, foram mostrados alguns quadros da vida de Jesus no caminho do calvário e também o sofrimento de prostituas, bêbados e doentes, representando o sofrimento da humanidade. Para Dom Geraldo, a celebração ajuda os pobres a agüentar o sofrimento e a sair dele.
"Porque não é para ficar debaixo da cruz a vida inteira, é para lutar. Muita gente se conforma com a realidade, vive e não faz esforço, mas a gente quer também ajudar eles a se libertarem da dor, do sofrimento, das dificuldades e a viver de uma maneira mais digna".
Depois da encenação foi servido o almoço, preparado por 911 voluntários. No cardápio, feijão com arroz (o famoso "baião de dois") e carne seca. A sobremesa, rapadura em tabletes, também agradou os moradores de rua, em sua maioria nordestinos e mineiros. A coordenadora do grupo Fraternidade Pastoral de Maria, Graciliana Teles, conta que com o auxílio da comunidade e de empresas foram arrecadados para o almoço 155 quilos de carne, 30 de feijão, 30 de arroz e 450 litros de refrigerante.
"É para que os nossos irmãos, que são sobretudo nordestinos e mineiros, possam apreciar. Porque isso faz parte da mesa deles. Como eles fazem jejum o ano inteiro, hoje é dia do banquete para aqueles que passam fome".
A moradora de rua Eliane dos Santos Santana, 26 anos, agradecia a oportunidade de ver os três filhos comendo e se divertindo. "Pelo menos eu estou andando, minhas filhas tão comendo e se divertindo, porque ficam sempre só dentro do cerrado e do mato. A Páscoa para mim é importante", afirmou.
"As pessoas que estão vindo aqui hoje são convidados muito especiais. Realizamos este trabalho porque a igreja quer dar um sinal visível à sociedade de que essas pessoas são fruto daquilo que não desejaríamos, da renda concentrada, da distribuição injusta", disse dona Graciliana. No resto do ano, o grupo Fraternidade Pastoral de Maria distribui sopa todas as noites para cerca 1.600 moradores de rua.
Voluntários encenam paixão de Cristo para moradores de rua
Sábado, 26 de Março de 2005 às 13:50, por: CdB