Rio de Janeiro, 03 de Abril de 2026

Volume de crédito aumenta no país e juros tendem a cair

Terça, 25 de Julho de 2006 às 09:29, por: CdB

Aumentou o volume total das operações de crédito no país. As transações, que incluem recursos livres e direcionados, chegaram a R$ 658,9 bilhões em junho, ou 0,7% a mais do que em maio, como informou nesta terça-feira o Banco Central. A relação desse volume com o PIB ficou em 32,4% em junho, ligeiramente abaixo dos 32,5% observados no mês anterior. No período, continuam em queda as taxas médias de juros e, segundo, o BC, no total, as taxas recuaram de 43,8% ao ano, para 43,2% em junho. A queda ficou em 0,3 ponto percentual, para pessoa física, indo para 55,8% ao ano. Para as empresas, o recuou foi maior, de 0,9 ponto percentual, para 28,8% ao ano.

Os spreads, que significam a diferença entre o custo de captação e a efetivamente cobrada pelos bancos, também cederam em junho. Para o consumidor final, eles ficaram em 40,6 pontos percentuais (queda de 0,5 ponto) e para as pessoas jurídicas, em 13,6 pontos percentuais (queda de 0,4 ponto). Dentre as modalidades de crédito para pessoas físicas, a que mais apresentou recuo nas taxas de juros foi a de CDC de bens duráveis, passando de 58,1% ao ano para 57,5% ao ano. Os juros dos cheque especial recuaram 0,3 ponto percentual, para 145,1% ao ano em média, enquanto que os juros do crédito pessoal perderam 0,1 ponto, para 62,2% ao ano.

Em queda

Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o "mais provável" é que a medida provisória sobre cobertura cambial, regra que obriga as empresas a trocar por reais os dólares que recebem no exterior, seja anunciado nesta quarta-feira.

- De quinta não passa - adiantou o ministro.

A determinação de Mantega é que o projeto estivesse pronto para sua análise ainda nesta quarta-feira.

- Se ele tiver redondo, vai ser anunciado, no máximo, até quarta-feira. Mas eu preciso ver o que foi equacionado. O mais provável é que seja depois de amanhã [quarta-feira], que é preciso preparar a MP - afirmou.

Mas o ministro não informou quais seriam os pontos ainda pendentes do projeto. Ele voltou a afirmar que será cobrada CPMF sobre o montante que os exportadores poderão manter no exterior.

- A questão da CPMF está equacionada. Vai ter CPMF. Isso estava definido desde o início. A Fazenda não pode abrir a mão desta arrecadação - avisou.

O texto da MP não deverá fixar um percentual das receitas em dólar que as empresas podem deixar no exterior para compensar dívidas e pagamentos. Este percentual deverá ser definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que se reúne a cada mês. Mantega acredita que a parcela de recursos que ficará no exterior seja elevada gradualmente e possa chegar a 100%.

Outras fronteiras

O ministro voltou a Brasília depois de participar da Cúpula do Mercosul, em Córdoba, na semana passada, e de passar por Buenos Aires nesta segunda-feira para uma reunião bilateral com a ministra da Economia argentina, Felisa Miceli. No encontro com Miceli, disse o ministro, ficou acertada a prioridade ao projeto que elimina o uso do dólar como moeda intermediária no comércio bilateral. Mantega afirmou que os banco centrais dos dois países se reunirão em setembro para estudar fórmula para permitir que os exportadores usem peso ou real nas transações.

Tanto Miceli quanto Mantega coordenaram propostas que levarão à reunião do FMI em setembro, em Cingapura. Os países pedirão que o Fundo disponibilize "linhas contingentes de crédito", que poderiam ser sacadas quando os países estivessem em dificuldades.

- A idéia é que funcione como se fosse um cheque especial, mas sem as taxas de cheque especial - disse Mantega a jornalistas.

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