As relações entre Colômbia e Equador, marcadas pelo desrespeito do primeiro à soberania do segundo, pioraram ainda mais na segunda-feira, após o anúncio, na véspera, de que um cidadão equatoriano foi assassinado junto com os guerrilheiros das Farc, mortos no ataque a um acampamento no país vizinho, no dia 1º deste mês. Presidente do Equador, Rafael Correa já havia prometido que as relações com a Colômbia seriam ainda mais cerceadas, caso fosse confirmado que uma das vítimas do incidente era equatoriana.
- Sim, ele ele era equatoriano - confirmou o ministro de Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, no domingo, encerrando as especulações.
Uma nota do ministério disse que aparentemente a vítima se tratava de um membro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que ajudava guerrilheiros a se esconderem no lado equatoriano.
- Peço às autoridades equatorianas que não permitam que criminosos tirem vantagem (de seu território) - disse Santos.
O Equador rompeu relações diplomáticas com a Colômbia por causa da ação militar que resultou na morte do dirigente rebelde Raúl Reyes e de cerca de 20 outros guerrilheiros. No domingo, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, divulgou nota dizendo que a ação foi necessária para proteger seu país de ataques "terroristas". A crise, que envolveu também a Venezuela, terminou com apertos de mãos na semana seguinte durante uma cúpula na República Dominicana. Quito e Caracas chegaram a enviar tropas para suas fronteiras com a Colômbia.
Parentes de um equatoriano disseram, semana passada, que ele havia morrido na ação militar. Correa ordenou uma investigação, dizendo que não permitiria que "o homicídio ficasse impune". Reyes foi o mais importante dirigente da guerrilha a ser morto pelas forças do governo colombiano em mais de quatro décadas de conflitos. Uribe, principal aliado dos EUA na América do Sul, acusou Equador e Venezuela de ajudarem as Farc ao invés de combatê-las.
A senadora oposicionista colombiana Piedad Córdoba disse que a ação militar colombiana inviabilizou qualquer discussão que possa levar à libertação dos cerca de 40 reféns políticos mantidos pela guerrilha. Ela participou da mediação que levou à libertação de seis reféns neste ano.