Vizinhos do Engenhão dizem que Prefeitura ignora deficiências do bairro
A mudança de perfil das atrações no Engenhão, na zona norte, divide os moradores, que veem com bons olhos a movimentação nos arredores do estádio, mas temem que as deficiências do bairro onde vivem sejam ignoradas. Com a reforma do Maracanã, o Engenhão deve ganhar espaço nos próximos meses como um dos principais palcos para shows internacionais e eventos de grande porte do Rio.
A mudança de perfil das atrações no Engenhão, na zona norte do Rio, divide os moradores da região, que veem com bons olhos a movimentação nos arredores do estádio, mas temem que as deficiências do bairro onde vivem sejam ignoradas.
Com a reforma do Maracanã, que só deve reabrir no final de 2012, o Engenhão deve ganhar espaço nos próximos meses como um dos principais palcos para shows internacionais e eventos de grande porte do Rio. O estádio também será uma das principais sedes da Olimpíada de 2016.
Na noite da primeira apresentação de Paul McCartney no local, no domingo, a moradora Marcia Amaral observava do portão de sua casa as enormes filas formadas do outro lado da rua, ao lado de sua mãe, irmã e sobrinha.
– Acho ótimo a gente passar a ter esses grandes eventos. As pessoas são educadas, fazem fila, não tem estresse, não tem briga", diz Marcia. "O problema aqui é quando tem futebol. Tem briga de torcida e eles soltam bomba caseira.
Já a comerciante Beatriz Sobreira diz que o transtorno gerado por eventos no estádio não compensa o pequeno lucro gerado pela sua atividade. Ela e sua família vendem bebidas na porta da garagem de uma antiga casa de festas em frente ao estádio.
– Não estamos gostando disso. A região não tem preparo para isso. Os próprios moradores não podem estacionar o carro em lugar nenhum, porque a Prefeitura está rebocando todos os carros.
– E ninguém nos informa nada. Não tem nem mesmo uma circular para os moradores –, acrescenta Beatriz.
– Desde que o Engenhão abriu, a vida só piorou. Melhorar, não melhorou em nada.
O comércio nos arredores do estádio, inaugurado em 2007 para os Jogos Panamericanos, é formado por alguns poucos bares formais e outros tantos informais como o de Beatriz.
Portões de casa ou portas de garagem são abertos e isopores ou mesas de ferro fazem as vezes de balcões improvisados, onde moradores vendem bebidas, biscoitos e petiscos.
Elizabeth Daniels Taddeuci, de 56 anos, não demonstra satisfação ao ser perguntada se as vendas são boas.
– Dá para ganhar um, né? Pelo menos ajuda a aumentar a renda –, diz a moradora. Sempre que tem jogo no estádio, ela vende bebidas na garagem da cunhada.
Elizabeth mora no Engenho de Dentro há 30 anos e diz que a vida no bairro "mudou por demais" desde a abertura do estádio.
– Isso aqui era deserto, um paredão escuro, dava medo de sair de casa muito cedo de manhã –, afirma.
– Agora ficou mais movimentado, as pessoas fazem ginástica em torno do Engenhão. Até 22h tem gente na rua.
Mas a infraestrutura do bairro não passou por melhorias, na avaliação da moradora.
– A Prefeitura só aparece em dias de jogo ou de show. Como hoje: a rua está limpa, a Comlurb estava aqui assídua de manhã.
Apesar de elogiar o movimento dos fãs de Paul McCartney que foram ao estádio, Marcia lamenta a falta de opções de lazer na região. O preço dos ingressos do show (R$ 180 a R$ 700) era inacessível para a família da moradora do bairro.
– Quando construíram o Engenhão aqui, falaram que ia ter um shopping com cinema, restaurante –, lembra Marcia.
– Ficou na promessa.
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