Rio de Janeiro, 29 de Outubro de 2026

Viver perdoando

Quinta, 08 de Setembro de 2011 às 11:32, por: CdB

[Tradução: Antonio Manuel Álvarez Pérez].

Os discípulos ouviram Jesus dizer coisas incríveis sobre o amor aosinimigos, a oração ao Pai pelos que nos perseguem, o perdão a quem nos faz mal.Seguramente parece-lhes uma mensagem extraordinária mas pouco realista e muitoproblemática.

Pedro aproxima-se agora de Jesus com uma proposta mais prática econcreta que lhes permita, ao menos, resolver os problemas que surgem entreeles: receios, invejas, confrontações, conflitos e disputas. Como têm de atuarnaquela família de seguidores que seguem os Seus passos. Em concreto: «Se omeu irmão me ofende, quantas vezes lhe tenho de perdoar?».

Antes que Jesus lhe responda, o impetuoso Pedro adianta-se a fazer-Lhe asua própria sugestão: «Até sete vezes?». A sua proposta é de umagenerosidade muito superior ao clima justiceiro que se respira na sociedadejudia. Vai mais além inclusive do que se pratica entre os rabinos e os gruposessénios que falam como máximo de perdoar até quatro vezes.

No entanto Pedro continua a mover-se no plano da casuística judia ondese prescreve o perdão como arranjo amistoso e regulamentado para garantir ofuncionamento ordenado da convivência entre quem pertence ao mesmo grupo.

A resposta de Jesus exige colocar-se noutro registo. No perdão não hálimites: «Não te digo até sete vezes mas até setenta vezes sete». Nãotem sentido fazer contas ao número de perdões. O que se põe a contar quantasvezes perdoa ao irmão entra por um caminho absurdo que arruína o espírito quehá-de reinar entre os seus seguidores.

Entre os judeus era conhecido um "Canto de vingança" de Lámek,um lendário herói do deserto, que dizia assim: "Cain será vingado setevezes, pero Lámek será vingado setenta vezes sete". Perante esta culturade vingança sem limites, Jesus canta o perdão sem limites entre os Seusseguidores.

Em muito poucos anos o mal-estar foi crescendo no interior da Igrejaprovocando conflitos e confrontações cada vez mais destruidores e dolorosos. Afalta de respeito mútuo, os insultos e as calúnias são cada vez maisfrequentes. Sem que nada os desautorize, setores que se dizem cristãosservem-se da internet para semear agressividade e ódio destruindo sen piedade onome e a trajetória de outros crentes.

Necessitamos urgentemente de testemunhas de Jesus, que anunciem compalavra firme o Seu Evangelho e que contagiem com coração humilde a Sua paz.Crentes que vivam perdoando e curando esta obsessão doentia que penetrou na SuaIgreja.

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