De acordo com a viúva do ex-deputado José Janene era uma "pessoa obcecada pelo poder"
Apesar de negar conhecer os negócios do marido José Janene, a viúva do ex-deputado falecido em 2010, Stael Fernanda Janene acreditar que ele tenha tido envolvimento em esquemas de corrupção. Janene, segundo ela, era uma "pessoa obcecada pelo poder".
Stael depôs nesta manhã na CPI da Petrobras na condição de investigada. Segundo as investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, José Janene era um dos operadores do esquema de corrupção que atuava na Petrobras.
- Eu acredito que não foi só o Janene. Ele não inventou a corrupção no Brasil, ele não inventou a corrupção na Petrobras. Mas acredito que ele tenha tido envolvimento - afirmou Stael Janene, em resposta à deputada Eliziane Gama (PPS-MA).
A viúva lembrou que ela própria é investigada no esquema de corrupção do Mensalão. Hoje, ela diz que trabalha para manter os três filhos de 17, 14 e 11 anos, e afirmou que seus bens estão todos bloqueados.
- Tudo o que eu tenho está bloqueado pela Justiça. Vai ter que aguardar o término das investigações para comprovar que o Janene era uma pessoa de posses. Dependo do término do processo, para ver o que consigo liberar. Até agora tudo, até o ar que eu respiro, está indisponível - afirmou ao responder pergunta do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).
Corrupção
Stael Fernanda Janene negou ter conhecimento de participação do político nos esquemas de corrupção da Petrobras. Segundo ela, o marido não comentava nada em casa e, quando ele morreu, em 2010, eles já estavam separados.
- Eu pessoalmente, nunca estive na Petrobras. Nunca vi Paulo Roberto Costa [ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, seria afilhado político de Janene]. Tudo o que sei em relação a isso, ouvi falar. Não sei se o Janene foi tudo isso em relação à Petrobras. Nunca vi isso na nossa vida - disse.
- Não me lembro nem de ter falado por telefone [com Paulo Toberto Costa]. Nenhum diretor da Petrobras frequentou a minha casa. Não conheci nenhum, nem sei onde fica o prédio da Petrobras - completou.
Ela lembrou que, quando Janene faleceu, eles já estavam separados há um ano e dez meses.
- Ele não gostou, não falava comigo. Ele ficou 44 dias internado no Incor e não fui visitá-lo, porque ele não quis. A minha relação com o Janene, depois da separação, não foi boa - afirmou.
A viúva disse conhecer o doleiro Alberto Youssef, mas como um "compadre", em razão de ele ser padrinho de seu filho.
Contas no exterior
Stael também negou ter conhecimento de contas de Janene no exterior e admitiu ter assinado documentos para o marido sem ler. Segundo a depoente, o marido era uma pessoa simples e não ostentava.
- Esses comentários de milhões e milhões, não posso acreditar. Eu era casada com uma pessoa que reclamava da conta da verduraria. Nunca entrei em uma loja de grife para comprar uma bolsa, embora tenha me casado com uma pessoa que tinha posses, antes de ser deputado. Eu não fazia nada. Até compras da minha casa, quem fazia era a secretária dele - declarou.
- Hoje sou corretora de imóveis, mexo com evento. Faço de tudo um pouco, para manter os meus três filhos. E recebo a pensão integral do deputado, meus filhos são menores - acrescentou.
Stael fez suas declarações em resposta ao relator da comissão, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), e ao sub-relator Altineu Côrtes (PR-RJ).
Exumação
Em resposta ao deputado Silas Câmara (PSD-AM), a viúva voltou a negar que tivesse tido a dúvida sobre a possibilidade de Janene estar vivo. "Saiu na imprensa que eu teria estado com algum deputado e falado sobre isso. Nunca, jamais. Eu participei do velório dele."
Em maio, o presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), chegou a cogitar a possibilidade de apresentar requerimento para exumar o corpo do ex-deputado José Janene, mas desistiu a pedido da família de Janene.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.