Rio de Janeiro, 09 de Maio de 2026

Viúva de homem-bomba diz que ele foi manipulado

Sexta, 23 de Setembro de 2005 às 06:51, por: CdB

A viúva de um dos militantes suicidas que mataram 52 pessoas nos transportes públicos de Londres em 7 de julho disse nesta sexta-feira que mesquitas radicais britânicas "envenenaram" a mente de seu marido, até então um homem pacífico.

Samantha Lewthwaite, viúva do jamaicano-britânico Germaine Lindsay, que matou 27 pessoas em um trem do metrô perto da estação King's Cross, afirmou que ele foi manipulado por fanáticos que conheceu no final do ano passado.

- A morte de civis britânicos inocentes por Jamal (Lindsay) foi algo que eu nunca poderei compreender. Como essa gente o mudou e envenenou sua mente é algo horrível. Ele se tornou um homem que eu não reconhecia - disse ela ao jornal Sun

Lindsay, de 19 anos, e três outros muçulmanos britânicos - Shehzad Tanweer, Hasib Hussain and Mohammed Sidique Khan - detonaram bombas caseiras escondidas em mochilas dentro de três trens do metrô e um ônibus, durante a hora de maior movimento matutino.

- Ele ficava tão irritado quando via civis muçulmanos sendo mortos nas ruas do Iraque, da Bósnia, da Palestina, de Israel - e sempre disse que eram os inocentes quem sofriam - disse Lewthwaite, que, a exemplo de seu marido, se converteu ao Islã.

- Então ele é responsável por fazer a mesma coisa - mas com seus compatriotas britânicos -  acrescentou ela, qualificando de "totalmente abomináveis" suas ações.

O comportamento de Lindsay se tornara cada vez mais errático nas semanas que antecederam aos ataques, e Lewthwaite, que estava grávida de oito meses na época do atentado, achava que o marido estava tendo um caso extraconjugal.

Ela também disse ao jornal que expulsou Lindsay de casa horas antes do ataque, mas acredita que ele voltou para se despedir do filho Abdullah.

- Acho que ele não poderia ter feito isso sem vê-lo uma última vez. Ele se despediu do nosso filho com um beijo e aí saiu para explodir a King's Cross - disse a mulher.

Lewthwaite, que deu à luz o segundo filho do casal há pouco mais de duas semanas, disse ter chorado quando a polícia lhe mostrou as imagens de Lindsay num vídeo de vigilância gravado pouco antes do atentado.

Ela foi colocada sob proteção policial, mas disse esperar que a sociedade não a rejeite pelo que seu marido fez.

 

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