Rio de Janeiro, 03 de Maio de 2026

Vitória do 'Não' é destaque no exterior

Segunda, 24 de Outubro de 2005 às 09:44, por: CdB

A rejeição dos brasileiros à proibição do comércio de armas e munições, neste domingo, ganhou destaque na imprensa internacional.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 63,88% dos eleitores votaram "Não", contra 36,11% escolhendo o "Sim" à proibição.

Em sua edição online, já na madrugada desta segunda-feira, o jornal El Pais, da Espanha, afirmou que a pergunta usada no referendo não foi clara. A reportagem dizia ainda que o resultado é um retrocesso para o governo.

O processo do referendo foi acompanhado de perto por outros países. Nos Estados Unidos, grupos de lobby pró e contra as armas tiveram interesse especial.

Para Jessica Galeria, uma californiana que pesquisa a violência no Brasil com a ONG viva Rio, a campanha do "Não" foi importada dos Estados Unidos.

- Eles apenas traduziram muito do material do NRA (a Associação Nacional de Rifles). Agoram muitos brasileiros estão insistindo em seu direito de portar armas, eles não têm nem mesmo um pseudo-direito de portar armas. Isso não está em sua Constituição - disse Galeria à agência Associated Press.

Já o diretor de relações-públicas da NRA, Andrew Arulanandam, disse que o resultado é uma "vitória para a liberdade".

- Trata-se de um maravilhoso fracasso para o movimento global de controle de armas. O objetivo do movimento de proibição das armas era usar o Brasil como um ponto de partida para a proibição nos Estados Unidos. Nós estamos felizes que eles foram derrotados - disse Arulanandam à AP.

Antes do referendo, o representante da ONU no Brasil, Carlos Lopes, havia dito que uma vitória do 'não' seria um passo atrás, mas não impediria a continuidade do processo de desarmamento no país.

Na opinião de Lopes, mesmo com a rejeição da proibição do comércio de armas e munição, o país ainda conta com as outras restrições aprovadas pelo Congresso.

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