Rio de Janeiro, 24 de Abril de 2026

Vitória do Hamas dificulta paz no Oriente Médio

Sexta, 27 de Janeiro de 2006 às 07:45, por: CdB

A diplomacia pela paz no Oriente Médio entrou em tumulto nesta sexta-feira, após a surpreendente vitória do Hamas na eleição palestina e com a promessa dos Estados Unidos de não negociar com o grupo islâmico até que ele renuncie à violência contra Israel. Muitos líderes intensificaram a pressão para que o Hamas modere suas políticas. Israel descartou negociar com um governo palestino que envolva a organização, a qual defende a destruição do país e foi responsável por dezenas de atentados suicidas. O Hamas respeitou uma trégua por um ano, mas afirma que não vai abrir mão das armas nem de sua exigência de formar um Estado islâmico no lugar de Israel, Cisjordânia e Gaza.

O temor de distúrbios internos entre os palestinos cresceu quando centenas de homens armados da Fatah, facção dominante do presidente Mahmoud Abbas, realizaram uma manifestação em Gaza em protesto contra a vitória do Hamas, disparando para o ar e gritando por sua renúncia.

A ascensão do Hamas,  -- que conquistou 76 das 132 cadeiras do Parlamento, contra 43 do Fatah,  é vista como um terremoto político no Oriente Médio, provocado pela desilusão dos eleitores com a corrupção e com os esforços de paz.

- Já deixei muito claro...que um partido político que articula a destruição de Israel como parte de sua plataforma é um partido com o qual não vamos lidar -  disse o presidente dos EUA, George W. Bush, em uma entrevista coletiva em Washington.

O primeiro-ministro interino de Israel, Ehud Olmert, disse que um governo envolvendo o Hamas não pode ser um parceiro para a paz. Israel também recusou-se a negociar com o governo anterior, dizendo que ele não combateu grupos militantes como o Hamas.

- Se um governo é liderado ou inclui o Hamas, a Autoridade Palestina se tornará uma organização terrorista. O mundo e Israel vão ignorá-lo e ele se tornará irrelevante", afirmou, usando o mesmo termo que Sharon aplicava a Arafat -  disse Olmert, que assumiu os poderes de Ariel Sharon depois do derrame do primeiro-ministro, em 4 de janeiro.

Mas uma pesquisa de opinião no jornal israelense Yedioth Ahronoth mostrou que 48 por cento dos israelenses são favoráveis a negociações com um governo palestino liderado pelo Hamas, e 43 por cento são contra. Um líder do Hamas declarou nesta sexta-feira que o grupo se encontrará daqui a alguns dias com Abbas para discutir uma "parceira política".

Negociações de emergência

Os EUA, que mantêm o Hamas na lista de organizações terroristas, realizaram debates de emergência por telefone com os outros membros do grupo conhecido como "quarteto", formado por EUA, União Européia, Rússia e a Organização das Nações Unidas.

- Reafirmamos a visão de que...não se pode ter um pé no terrorismo e outro na política -  disse a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, em entrevista.

Em comunicado, o quarteto exigiu que o Hamas renuncie à violência, aceite o direito de existência de Israel e se desarme. Líderes da UE, maior doador para a Autoridade Palestina, disseram que o Hamas corre o risco de ficar isolado se não cumprir as exigências.

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