As vitórias da senadora Hillary Clinton e do senador John McCain, nas primárias do Estado de New Hampshire, deixaram o panorama político dos EUA fora dos padrões de razoabilidade. O erro das agências de notícias e instituto de pesquisas, de 13 pontos percentuais, conforme registrou a pesquisa liderada pelos institutos Reuters/C-Span/Zogby, trouxe novas emoções para a corrida presidencial norte-americana e deixaram imprevisíveis as próximas etapas, de Michigan, para os republicanos, e Carolina do Sul e Nevada, para os democratas, no processo de escolha do próximo presidente daquele país.
- Eu ouvi vocês e, neste processo, encontrei minha própria voz. Vamos dar à América o tipo de recuperação que New Hampshire acaba de me dar - disse Hillary ao agradecer seus eleitores, em Manchester.
A grande surpresa ocorreu entre os democratas. O senador Barack Obama, segundo todos os institutos de pesquisa, iria repetir o êxito obtido na prévia de Iowa, onde se sagrou o vencedor e deixou Hillary em um distante terceiro lugar. As sondagens iniciais davam a Obama uma vantagem de até 13 pontos percentuais sobre a ex-primeira dama dos Estados Unidos. A surpresa ocorreu logo nas contagens iniciais, no início da noite de terça. Com apenas 10% dos votos apurados, Hillary abrira uma estreita vantagem sobre o senador - 39% contra 36%, mas, até então, acreditava-se que Obama conseguiria reverter o resultado.
Fechadas as urnas, Hillary se sagrou a vencedora, com 39% contra 37% de Obama que, no discurso em que admitiu a derrota no Estado, repetiu os temas de sua campanha para uma platéia que havia chegado disposta a comemorar uma vitória expressiva, mas saiu frustrada.
- Neste momento, nesta eleição, há algo acontecendo na América. Estamos prontos para levar este país rumo a uma direção fundamentalmente nova - disse Obama.
O ex-senador John Edwards, que havia chegado em segundo em Iowa, ficou com a terceira posição e obteve uma votação bem mais minguada do que a alcançada anteriormente - meros 17%.
- Os eleitores de New Hampshire deram uma reviravolta neste negócio e disseram que esta será uma longa corrida - observou Edwards.
Republicanos
Na primária republicana, o senador John McCain conquistou 37% dos votos e superou o seu principal rival em New Hampshire, o ex-governador do Estado de Massachusetts Mitt Romney, que ficou com 32%. Romney já havia obtido a segunda colocação em Iowa, quando foi derrotado pelo ex-governador Mike Huckabee, que, em New Hampshire, ficou com o terceiro lugar. Há poucos meses, a campanha de McCain estava totalmente desacreditada. Ele contava com pouco dinheiro, havia perdido alguns de seus mais importantes assessores e amargava o desgaste de ter dado forte apoio à presença americana no Iraque.
O veterano político de 71 anos atribui sua virada de jogo à sua "sinceridade" e ao fato de não ter revisto suas idéias mesmo quando elas eram consideradas impopulares. Com a redução da violência contra as tropas dos Estados Unidos no Iraque, McCain pôde argumentar que a estratégia americana no Golfo está começando a dar certo e que o país deve vencer a guerra. O contraste entre a imagem de político coerente e com fortes princípios contra a impressão que Romney passou para muitos eleitores, a de alguém que muda de opinião conforme a conveniência do momento, foram fatais para a candidatura do ex-governador de Massachusetts.
A próxima primária será realizada no Estado do Michigan, na terça-feira. Depois das surpresas obtidas em New Hampshire, muitos analistas políticos estão hesitantes em fazer previsões sobre quem deverá vencer as disputas que vem pela frente.
Mais emoções
De agora até a chamada "superterça", em 5 de fevereiro, quando 22 Estados realizam suas prévias, a campanha ganha um caráter mais nacional - ao contrário da política "intimista", olho no olho, que caracterizou Iowa e New Hampshire. Nesta fase,