Fernando Alonso achava que nada poderia lhe dar mais satisfação do que se tornar campeão de Fórmula 1, mas estava errado.
Semanas depois de garantir o título no Brasil, o espanhol de 24 anos da Renault comemorou de novo na China, no domingo, depois da vitória que deu o primeiro título de Construtores à equipe.
- É uma sensação fantástica. Achava que nada seria igual a ganhar o campeonato de pilotos, mas ver nosso pessoal comemorando é tão bom quanto - declarou Alonso, que cantou We are the Champions pelo rádio da equipe na volta da vitória depois da corrida.
A Renault deve agradecer o espanhol por não pilotar do mesmo jeito que canta, mas Alonso teve todos os motivos para ficar feliz na China, depois da temporada mais longa da Fórmula 1 -- 19 corridas da Ásia à América e de volta para a Ásia.
Com a vitória, a Renault terminou a temporada da maneira como começou, ganhando com ampla distância e calando quem sugeriu que a McLaren e Kimi Raikkonen mereciam os títulos.
Alonso e o finlandês ganharam sete vezes, e o espanhol teve uma pole e três pódios a mais. Ele terminou com 133 pontos, contra 112 de Raikkonen.
A McLaren ganhou duas corridas a mais, mas a estratégia fez sua a parte, já que a Renault correu de forma conservadora no começo da temporada para garantir o título.
Mas o título de Alonso não vai sumir na história como aqueles de pilotos que ganharam menos provas que o principal rival. Ele e a Renault merecem o sucesso.
- Esta corrida foi na verdade muito fácil. Só usamos a força total do motor na primeira parte e vimos que estávamos mais rápidos que todos, então fomos mais conservadores na segunda parte. Honestamente foi como nas primeiras corridas, quando tínhamos uma vantagem e podíamos administrar o ritmo - afirmou Alonso, que liderou de ponta a ponta, enquanto o companheiro de equipe, o italiano Giancarlo Fisichella fez o suficiente para manter as McLarens atrás e permitir que o espanhol abrisse vantagem.
Pat Symonds, diretor de engenharia da Renault que ganhou o bicampeonato com Michael Schumacher e a Benetton há 10 anos, saboreou o momento.
- Prefiro este. Foi uma luta realmente muito dura o ano todo. Duas equipes com filosofias diferentes, mas acho ótimo, porque conseguimos mudar nossa filosofia quando precisamos - comparou.
Para Raikkonen, ter a volta mais rápida da prova foi um prêmio de consolação, em uma temporada recheada de problemas. A McLaren viu o título escapar na China quando o colombiano Juan Pablo Montoya abandonou.
- Fiz o melhor que pude, mas não foi suficiente. A Renault foi muito rápida, parabéns para eles e no próximo ano tentaremos de novo - disse Raikkonen, que deverá lutar com Alonso nos próximos anos.