Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Vítimas de atentado à Madri têm primeiro funeral coletivo

Sábado, 13 de Março de 2004 às 15:47, por: CdB

No terceiro dia de luto oficial, as famílias das vítimas dos atentados em Madri começaram a enterrar seus mortos neste sábado, enquanto o país, em clima de dor e revolta, se prepara para escolher os representantes do Parlamento nas eleições gerais deste domingo. Mais de 11 milhões de espanhóis tomaram as ruas em vários pontos do país em um protesto contra o terrorismo.

O primeiro funeral coletivo foi realizado no estádio El Juncal, em Alcalá de Henares, com a presença de milhares de pessoas. O número de mortos aumentou para 200 neste sábado e, segundo jornal 'El Pais', 266 feridos ainda estão internados, 17 deles em estado grave.

Em Alcalá de Henares era onde moravam 40 dos mortos e de onde partiram três dos quatro três atacados na quinta-feira. A cerimônia foi celebrada pelo bispo da localidade, Jesus Catalá.

- Eu enterrei um filho de 23 anos, um filho com um futuro pela frente - disse um senhor ao lado da mulher. - Todos nós estamos devastados.

- É muito difícil. Nós nos sentimos impotente e aterrorizados. Eu não posso pensar mais nisso. Eu não quero pensar mais nisso - disse uma mulher chamada Nieves, que perdeu uma sobrinha.

Nas últimas horas, os corpos que foram identificados pelos legistas foram transferidos, em sua maioria, para dois necrotérios de Madri, de onde serão levados para os locais escolhidos pela família para o sepultamento.

Os médicos que trabalhavam em um necrotério improvisado em um centro de exposições de Madri encerraram neste sábado a primeira fase de identificação dos corpos, a visual. No entanto, restos mortais fragmentados ou carbonizados ainda não foram identificados. Médicos forenses prosseguem com os trabalhos de identificação de 41 mortos através de exames de DNA e comparações de arcadas dentárias.

No entanto, especialista destacam que o trabalho é muito complexo, porque os trens viajavam lotados de pessoais, entre elas imigrantes que poderiam não ter parentes na Espanha para fornecerem amostras de DNA.

Vários cemitérios de Madri se tornaram os principais cenários onde os espanhóis se reúnem para o último adeus às vítimas. Nas cidades de Valladolid, Santander e San Sebastián também foram enterradas algumas das vítimas dos atentados.

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