Uma vistoria realizada pela Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), nesta terça-feira, constatou o desaparecimento de 9 mil litros de ascarel do prédio onde vai funcionar a sede do Instituto Nacional de Tráumato-Ortopedia (Into). A substância, usada como lubrificante de geradores de energia elétrica, é cancerígena.
A comissão investiga a hipótese de roubo e de um eventual vazamento do produto para a Baía de Guanabara.
- Esse fato pode se transformar na pior crise ambiental do Rio de Janeiro - definiu o deputado estadual Carlos Minc (PT).
Para receber a sede do Into, o prédio - que fica na zona portuária da cidade e onde já funcionou o Jornal do Brasil - passou por uma vistoria da Defesa Civil, que constatou a presença de substâncias químicas suspeitas. Antes que fosse encaminhada à Fundação Estadual de Engenharia do Meio-Ambiente (Feema) uma solicitação para avaliar os produtos encontrados, uma denúncia anônima, na semana passada, provocou uma vistoria da Fundação no local. Ficou comprovada a existência de resíduos de ascarel nos reservatórios do prédio. O uso da substância é proibido no Brasil desde a Constituição de 1988.
De acordo com Minc, ainda há 2 mil litros no local. Ele disse acreditar que ladrões tenham esvaziado os geradores, onde a substância era armazenada, para roubar fios de cobre. E podem ter levado o óleo também.
- Só uma quadrilha especializada seria capaz de entrar no prédio, abrir os transformadores e esvaziar os reservatórios daquela maneira. Essa operação deve ter durado dois ou três dias - afirmou Minc. Ele informou ainda que foram roubados 16 mil quilos de fios de cobre que estavam mergulhados nos reservatórios dos geradores.
O diretor do Into, Sérgio Côrtes, disse que o prédio deve ser interditado para uma avaliação completa. E que ainda serão realizadas licitações para as futuras obras, que só devem começar em 2006.
- A nossa maior preocupação, no momento, é reduzir ao máximo o risco ambiental que esse roubo possa gerar - afirmou Côrtes. A vistoria da Comissão do Legislativo foi realizada em conjunto com a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), que enviou técnicos para coletar amostras da substância.