Ao embarcar para a África, nesta sábado à noite, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende pôr um fim ao período "em que o governo brasileiro deu as costas para a África", como define o Itamaraty.
Lula deve assinar cerca de 40 acordos de cooperação técnicas em áreas como educação e saúde mas vai também em busca de novos mercados para as empresas brasileiras e de parceiros nas negociações com os países desenvolvidos.
"A África é uma prioridade na nossa política externa e é importante que retomemos esse contato", diz o embaixador Pedro Motta, diretor da Divisão da África do Ministério das Relações Exteriores.
"Queremos ampliar os contatos na área econômica, mas também temos uma agenda social", afirma Motta.
A viagem havia sido programada para o início de agosto, mas foi cancelada apenas poucos dias antes do embarque por causa crise política interna durante a votação da reforma da Previdência.
O giro de cinco países do sul da África começa no domingo, com uma visita de apenas cinco horas ao arquipélago de São Tomé e Príncipe, antiga colônia portuguesa. Lula inaugura uma embaixada no país, o único país africano de língua portuguesa que ainda não tinha uma representação diplomática brasileira.
O presidente também leva um projeto da Agência Nacional de Petróleo (ANP), que vai ajudar o país a organizar a exploração das reservas de petróleo nas águas do arquipélago, descobertas recentemente.
Com apenas 160 mil habitantes e renda per capital anual de US$ 280 (aproximadamente R$ 805), a descoberta de petróleo no país oferece boas perspectivas de investimento no futuro.
Angola
Já no domingo à tarde, o presidente embarca para Luanda, em Angola, onde fica até terça-feira. De lá o presidente vai para Maputo, em Moçambique. Na quinta-feira vai para Windhoek, na Namíbia e, no dia seguinte, embarca para Pretória, na África do Sul, a última etapa da viagem de uma semana ao continente africano.
É em Angola, também ex-colônia portuguesa com 13,6 milhões de habitantes e renda per capital anual de US$ 500 (aproximadamente R$ 1.435) que estão as maiores oportunidades de investimento para as empresas brasileiras.
Recém-saída de uma guerra civil que durou 27 anos e destruiu o país depois da independência de Portugal, em 1975, Angola tem petróleo e outros recursos naturais - portanto, dinheiro para pagar pela reconstrução e modernização do país.
"Existe quase uma corrida empresarial em direção a Angola, pelas oportunidades que se oferecem no país", diz o embaixador Pedro Motta.
Investimentos
O Brasil, pela língua e pelos laços históricos e culturais, já está bem posicionado. São brasileiros boa parte dos investimentos feitos no país nos últimos anos, com mais velocidade depois do fim da guerra, no ano passado.
O Banco do Brasil vai aproveitar a visita do presidente para inaugurar um escritório em Angola.
O país já tem, desde os anos 80, uma linha de crédito do Proex, programa do governo de financiamento das exportações, que permite o pagamento com petróleo de parte das exportações brasileiras para o país.
Em Angola, o presidente será recebido pelo presidente, José Eduardo dos Santos, e também pelos representantes dos outros poderes.
Escravos
Ele fará ainda um discurso na Assembléia Nacional sobre a ligação do Brasil com Angola, de onde vieram boa parte dos escravos brasileiros.
Em vários discursos, o presidente tem falado sobre "a dívida histórica que o Brasil tem o continente africano".
Em Moçambique, Lula vai fazer a entregue simbólica de medicamentos antiaids para tratar 100 doentes por um ano, atividade que faz parte de um projeto brasileiro que inclui outros quatro países africanos e cinco latinoamericanos.
Também destruído por uma guerra civil nos 16 anos que se seguiram à independência de Portugal, a economia de Moçambique apresenta um