Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Vírus marburg se alastra e já matou 174 em Angola

Sexta, 08 de Abril de 2005 às 18:32, por: CdB

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu na sexta-feira mais medidas contra a epidemia do vírus marburg em Angola, que já matou 174 pessoas, principalmente no norte do país.
A agência da ONU disse que um primeiro caso da enfermidade incurável foi detectado em Kuanza Sul, a sexta província do noroeste angolano a ser atingida. Também há uma morte suspeita sendo analisada na vizinha República Democrática do Congo.

A taxa de mortalidade entre os 200 casos identificados desde outubro é excepcionalmente alta, segundo a OMS. A situação é mais grave na cidade de Uige, onde vários casos atingiram crianças menores de cinco anos.

"A situação em Angola ainda não está sob controle. Esta ainda é uma crise sanitária em nível nacional e exige um profundo compromisso das autoridades nacionais e da comunidade internacional a fim de conter esta doença", disse Mike Ryan, diretor de operações de alerta e reação da OMS, em entrevista coletiva.

Cerca de 50 especialistas estrangeiros foram enviados a Angola, onde 27 anos de guerra civil causaram graves danos à infra-estrutura de saúde do país.

Ryan disse que, ao isolar as vítimas e reconstituir seus contatos, as autoridades estão "rompendo a cadeia de transmissão" em Uige.

Duas mortes pelo vírus marburg já foram confirmadas na capital, Luanda, uma cidade de 4 milhões de habitantes. Outros seis casos estão sendo investigados na cidade, segundo Ryan.
Não há evidências de que tenha havido transmissão do vírus dentro da cidade. Os dois mortos são um menino de 15 anos e uma enfermeira.

Mas Ryan lembrou que a capital tem "movimento e troca de pessoas de todas as áreas de Angola". "Portanto, é essencial que os sistemas de vigilância e as unidades de isolamento tenham sido plenamente estabelecidas em Luanda, tanto para manter a confiança nas viagens a Angola quanto para proteger a população. Isso está em andamento."

Separadamente, a ONU divulgou um plano de emergência para pedir 3,5 milhões de dólares em doações contra o vírus nos próximos três meses.

Esta rara febre hemorrágica, "parente" do vírus ebola, se caracteriza por cefaléia, náusea, vômitos e diarréia com sangue. Ela é transmitida pelo contato com fluidos corporais, como sangue, saliva e sêmen. Entre 1998 e 2000, 123 pessoas morreram devido ao marburg na República Democrática do Congo.

O próprio hospital de Uige, cidade de 500 mil habitantes, pode ter contribuído com a difusão da epidemia, segundo Pierre Formenty, especialista da OMS em febres hemorrágicas.
"Há uma possibilidade de que o hospital serviu para infectar crianças que foram tratadas ali. Isso não pode ser confirmado, mas é uma hipótese", disse ele a jornalistas.

Entre os 200 casos registrados há 12 profissionais da área da saúde.

Formenty disse que médicos-antropólogos estão em contato com líderes tribais para que eles informem à população, frequentemente analfabeta, sobre o risco de contrair a doença ao cuidar de doentes ou preparar corpos para funerais. "Nossa mensagem é muito clara: não toque nos pacientes e não toque nos corpos", afirmou.

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