Pré-candidato derrotado na bancada do PT, o deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) está em campanha aberta para disputar a presidência da Câmara com o candidato oficial do partido, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), e com isso pode criar uma séria crise no seu partido.
Nessa segunda-feira, Virgílio fez corpo-a-corpo conversando com os suplentes que tomaram posse nas vagas deixadas pelos deputados que assumiram mandatos de prefeito no dia 1 de janeiro. Em uma das solenidades, Virgílio chegou a discursar, dando boas-vindas aos parlamentares. Em outra ocasião, em uma roda de deputados que acabara de assumir seus mandatos, Virgílio defendeu a legitimidade da disputa avulsa no plenário.
"A presidência da Câmara tem de ser vista em uma ótica mais ampla do que a dos acertos internos ou das facções", pregou Virgílio na conversa com Walter Barelli (PSDB-SP), Jair de Oliveira (PDT-ES), Marco Maia (PT-RS) e Ademir Camilo (PPS-MG), na sala da diretoria geral da Câmara onde foi à procura dos novos deputados. "O instituto da candidatura avulsa é republicana, é democrática, é essencial", afirmou Virgílio. "O PT sempre foi o maior defensor da tese", continuou. "Se o PT defende, não é para ser aplicado só pelos outros", disse.
Ainda em campanha, Virgílio anunciou ao deputado Carlos Nader (PL-RJ), que o acompanhou durante o corpo-a-corpo, que havia conseguido a liberação de R$ 5 milhões para a estrada Oscar Niemeyer, uma reivindicação da bancada do Rio de Janeiro. O petista disse a Jair Oliveira que sempre divide as emendas parlamentares com o Espírito Santo. "São Estados-irmãos", argumentou. Virgílio ainda distribuiu cartões com o seu número de celular para os empossados e fez brincadeiras com Barelli, que foi diretor do Departamento Intersindical de Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) no mesmo período em que ele era o coordenador do instituto em Minas Gerais. "Vai ser um grande presidente da Câmara", disse Barelli, abraçando Virgílio.
Apoio - O deputado João Caldas (PL-AL), quarto suplente da Mesa Diretora e que empossou os deputados hoje, acompanhou o dia de campanha de Virgílio. Ele é um defendores da candidatura do petista mineiro. "Conhecemos o perfil dele. Ninguém terá surpresas com Virgílio", resumiu Caldas. Para ele, Virgílio levará sua candidatura ao plenário. "Não sei se alguém nega a presidência da Câmara com ela na mão", afirmou.
Virgílio desconhece que houve um acerto na bancada, como afirma o presidente do partido, José Genoino, no qual o deputado escolhido, entre os sete que disputavam, acataria a decisão e que não haveria candidatura avulsa no plenário de outro candidato do partido.
- Se teve esse pacto, não foi comigo. Se teve isso, esqueceram de me avisar - disse Virgílio. - Candidatura avulsa é da regra do jogo. Nunca me falaram que era proibido candidatura avulsa - completou.
Questionado diretamente por jornalistas se lançará seu nome para disputar a presidência da Casa, Virgílio afirmou: "Por enquanto, não". Caso enfrente a eleição, sua candidatura deverá ser aceita pelo presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). A tendência de João Paulo é permitir candidaturas avulsas no plenário na disputa por seu cargo. Para quem demonstrou surpresa com sua presença em Brasília hoje, uma segunda-feira do período de recesso, Virgílio disse que estava tratando de liberação de emenda nos ministérios.
- Todo ano eu fico aqui, correndo atrás de recursos. Sou coordenador da bancada de Minas Gerais - disse.