Admirador de Pixinguinha, que considera um dos maiores músicos do Brasil, o violonista paulista Mário Eugênio ainda é uma novidade para o grande público, apesar de já ter lançado dois discos instrumentais que tiveram boas críticas e vendas mo-destas. Mas isso não o desestimula. Tanto assim que ele está colocando no mercado seu terceiro trabalho, Sonoridade, e resolveu sair em campo para mostrá-lo a um maior número possível de pessoas interessadas em ouvir a batida de seu violão.
O disco, gravado no Estúdio Angels, em São Paulo, reúne nove canções entre as quais Lugar Comum (João Donato), Berimbau (Baden Powel), Insensatez (Tom Jobim), Ingênuo (Pixinguinha/Benedito Lacerda) e Saudade da Bahia (Dorival Caymmi).
- Eu ensaiei bastante tempo e gravei o disco em apenas dois dias. No primeiro fiz cinco músicas, no segundo quatro. É um disco sem truques e sem retoques no qual eu me acompanho apenas do violão, sem outro instrumento. Eu costumo dizer que faço uma dupla com Deus: sou seu acompanhante - brinca o artista.
Para escolher o repertório, Mário Eugênio disse ter sido guiado por sua inspiração: - Gravei músicas que eu gosto, costumo ouvir em casa e que têm a ver com a minha alma de músico, porque assim eu passo uma verdade.
Autodidata, Mário Eugênio começou a tocar com 6 anos, em meio a uma família de músicos - todos os seus 11 irmãos tocam violão.
- Minha técnica é totalmente fora da técnica acadêmica e ela se amoldou à minha maneira de tocar - explica.
Nascido na capital paulista, Mário Eugênio, hoje com 45 anos, lançou seu primeiro disco, Toque Brasil, em 1998, pelo selo Eldorado. No trabalho de estréia gravou músicas de Villa-Lobos, João Bosco e, entre outros, Pixinguinha - "nunca deixo de gravá-lo porque ele é meu ídolo".
- Foi um disco bem aceito pela crítica, mas eu não pude fazer uma grande divulgação - lamenta. O segundo, batizado de In Concert, foi feito em 2000, em parceria com o bandolinista Milton de Mori, com um repertório repleto de choros - alguns inéditos e outros releituras de chorinhos conhecidos como Doce de Coco (Jacob do Bandolim) e Primeiro Amor (Patápio Silva).
Apesar das dificuldades inerentes a quem faz música instrumental no Brasil e de ainda não ter sidoi descoberto pela grande mídia, Mário Eugênio não perde o bom humor:
- Por incrível que pareça eu vivo de música. Às vezes toco sozinho, com meu grupo de chorinho, ou acompanho algum outro artista. Ainda não trabalhei com nenhum medalhão.
Violonista Mário Eugênio lança seu terceiro CD
Quinta, 06 de Janeiro de 2005 às 13:42, por: CdB