A violência sectária voltou a atingir Bagdá nesta terça-feira, quando homens armados emboscaram um microônibus que trazia xiitas de um enterro, e mataram 10 das pessoas que estavam no veículo, disse a polícia.
Um homem-bomba também explodiu em frente da chamada Zona Verde, matando cinco pessoas e deixando 10 feridas, no momento em que o Parlamento, que funciona no local, preparava sua sessão. Uma hora depois, um carro-bomba matou três e feriu sete pessoas no bairro central de Karrada.
No bairro de Mansur, no oeste de Bagdá, homens armados invadiram os escritórios de uma empresa iraquiana e abriram fogo, matando oito funcionários e ferindo um, disse a polícia.
O ataque ao microônibus no violento bairro de Doura, na zona sul da cidade, prejudicou o apelo feito pelo primeiro-ministro na segunda-feira para os iraquianos "unirem-se como irmãos", depois de um novo espasmo de violência no fim de semana.
O microônibus estava voltando de um enterro na cidade sagrada de Najaf, a 160 quilômetros ao sul de Bagdá, quando foi atacado por homens que estavam em dois veículos, disseram fontes do Ministério do Interior.
A onda de assassinatos entre xiitas e sunitas em Bagdá elevou o temor da possibilidade de uma guerra civil aberta, o que representa um golpe à esperança do premiê Nuri al-Maliki de reconciliação nacional.
Na segunda-feira, um ônibus sofreu uma emboscada em um bairro sunita na zona oeste de Bagdá e sete pessoas foram mortas. Antes, duas bombas mataram 12 pessoas em um bairro xiita. Milicianos identificados como xiitas também atacaram um distrito sunita no sul.
Em um forte aumento da violência entre grupos religiosos, homens armados xiitas armaram barricadas em uma região sunita de Bagdá no domingo, matando pessoas com nomes sunitas.
Pelo menos 150 pessoas foram mortas no Iraque desde sexta-feira. Uma calma tensa voltou a outro bairro de Bagdá depois de conflitos pesados durante a noite. A polícia armou postos de controle no bairro de Ghazaliya para evitar a entrada de homens armados. O som de metralhadoras e de explosões de granadas lançadas por foguetes foi ouvido durante a noite.
O presidente Jalal Talabani, que teme a proximidade de uma guerra civil, apelou por calma, advertindo que o país está "à beira de uma ladeira escorregadia".
A nova onda de violência entre a maioria xiita, que sofria repressão durante o governo de Saddam Hussein mas que agora ganhou força política, e os árabes sunitas, que já foram o governo, provocou grande ceticismo, apesar dos esforços de Maliki para promover a reconciliação. Milícias leais ao clérigo radical xiita negaram acusações feitas por líderes sunitas e pela polícia de que são responsáveis pelo arrastão de assassinatos no distrito de Jihad, na zona oeste, no domingo.
Os assassinatos - os piores deste tipo que a cidade já viu, aconteceram depois de um ataque com carro-bomba contra uma mesquita xiita em Jihad, no sábado. No domingo, dois carros-bomba em outra mesquita xiita mataram 19.
Também nesta terça-feira, homens armados seqëestraram um cônsul iraquiano que trabalha no Irã. Wissam Abdulla al-Awadi estava de folga em sua casa em Bagdá quando foi levado.