Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Violência pode retardar eleições no Haiti

A violência que matou centenas de pessoas no Haiti desde setembro pode retardar a eleição presidencial prevista para novembro, disse na segunda-feira a comissão eleitoral do país. Rosemond Pradel, secretário-geral da entidade, disse que os preparativos já estão atrasados por causa da ação de quadrilhas, da intimidação cometida por ex-soldados e do ambiente geral de desrespeito à lei. (Leia Mais)

Segunda, 11 de Abril de 2005 às 17:41, por: CdB

A violência que matou centenas de pessoas no Haiti desde setembro pode retardar a eleição presidencial prevista para novembro, disse na segunda-feira a comissão eleitoral do país.

Rosemond Pradel, secretário-geral da entidade, disse que os preparativos já estão atrasados por causa da ação de quadrilhas, da intimidação cometida por ex-soldados e do ambiente geral de desrespeito à lei.

"Se medidas urgentes para melhorar a situação de segurança não forem tomadas, haverá consequências sérias e negativas para o cronograma eleitoral", disse Pradel à Reuters.

O Haiti vive mais de um ano de graves turbulências, que levaram à fuga do presidente Jean-Bertrand Aristide, hoje exilado na África do Sul, em fevereiro de 2004. A nomeação de um governo interino, apoiado pelos Estados Unidos e pela França, e a presença de tropas de paz da ONU lideradas pelo Brasil não melhoraram a situação do país, o mais pobre das Américas.

Grupos favoráveis e contrários a Aristide se enfrentam a tiros frequentemente. A polícia é acusada de violação aos direitos humanos, muitos aliados importantes de Aristide foram detidos sem acusação durante meses, e os 7.000 soldados comandados pelo Brasil não conseguem restaurar a ordem.

Pelo menos 650 pessoas morreram desde setembro, segundo várias entidades de direitos humanos.

Embaixadores do Conselho de Segurança da ONU fazem nesta semana uma viagem especial ao Haiti para avaliarem o andamento da missão da entidade. De passagem por Miami na segunda-feira, o primeiro-ministro interino Gerard Latortue disse que se trata "apenas de uma visita". Ele elogiou a tropa de paz por "estar fazendo um trabalho melhor agora".

No fim de semana, policiais haitianos e da ONU mataram o ex-comandante militar Remissainthe Ravix, que ajudou a derrubar Aristide, mas se voltou contra o novo governo ao verem rejeitadas suas exigências para que as Forças Armadas do país fossem recriadas. O chefe de uma quadrilha aliada de Ravix, Jean Anthony René, também foi morto.

O chefe de gabinete do presidente interino Alexandre Boniface, Michel Brunache, disse que as autoridades se impuseram um prazo até o final de abril para que haja segurança adequada para a realização de eleições limpas. Segundo ele, os incidentes do fim de semana marcaram o começo dessa campanha.

"Não queremos que nenhum lugar deste país seja controlado por líderes de gangues, onde os candidatos não podem fazer campanha", disse Brunache.

Há eleições regionais marcadas para 9 de outubro e gerais (para presidente e para o Parlamento) para o dia 13 de novembro.

Existem mais de cem partidos registrados, mas ainda não se sabe se a maior força política do país, o Família Lavalas, de Aristide, poderá ou quererá participar da eleição.

Segundo um representante do Grupo dos 184, que reúne empresários, grupos religiosos e líderes da sociedade civil, só um milagre permitirá a realização de eleições livres e limpas até o final do ano.

O industrial Charles Henry Baker disse que as empresas que disputam licitações junto à comissão eleitoral especificaram que o processo de registro dos cerca de 4 milhões de eleitores haitianos levaria pelo menos seis meses. "Se o conselho não encontrar tempo suficiente para registrar as pessoas, ele terá de adiar a eleição", afirmou Baker à Reuters.

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