Rio de Janeiro, 05 de Maio de 2026

Violência e emprego são as principais preocupações do jovem brasileiro

Quarta, 05 de Outubro de 2005 às 20:53, por: CdB

A violência e o emprego estão entre as principais preocupações dos brasileiros com idade entre 15 e 24 anos. A informação é do sociólogo Gustavo Venturi, um dos responsáveis pela pesquisa Perfil da Juventude Brasileira, realizada em 2003 para o Projeto Juventude. por meio de uma parceria entre o Instituto Cidadania, o Sebrae e o Instituto de Hospitalidade.

Os dados recolhidos em novembro de 2003 coincidem com as informações divulgadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) no Relatório Mundial sobre a Juventude 2005, que faz uma análise da situação da juventude mundial.

Estatísticas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que o desemprego para essa faixa etária, no mundo, aumentou de 11,7% em 1993 para 14,4% (88 milhões) em 2003, alcançando um recorde histórico, segundo o estudo da ONU. No Brasil, a taxa de desemprego chegou a 40% em 2003. Segundo o Relatório Mundial, a taxa de participação dos jovens na população economicamente ativa caiu em quatro pontos percentuais, entre 1993 e 2003.

Apenas um em cada quatro jovens brasileiros não trabalha e nunca procurou trabalho, segundo Gustavo Venturi.

- Isso, em grande medida, por causa da necessidade. Dois terços dos jovens contribuem para a renda familiar com toda a renda que obtêm quando estão trabalhando ou então com boa parte dela - explica.

O sociólogo afirma, no entanto, que o trabalho, para os jovens, não é apenas obrigação, mas representa a conquista da autonomia:

- Por isso não pode ser visto só do ponto de vista da necessidade. O trabalho é uma das questões fundamentais para a juventude, hoje.

O estudo brasileiro revelou também que os jovens são as principais vítimas da violência social: 43% deles já perderam alguma pessoa próxima em função de morte violenta. O assassinato e acidente automobilísticos foram as principais causas. Os dados também apontam que um em cada cinco jovens já foi assaltado pelo menos uma vez na vida.

- A violência está presente no cotidiano dos jovens e uma das conseqüências dessa realidade é o apoio deles a políticas de combate à violência - acrescentou Venturi.

Durante a pesquisa, cerca de 60% dos jovens disseram apoiar a proibição da venda legal de armas. O mesmo percentual também apoiava a posse de armas em casa e o porte de armas em geral. E cerca de três quartos era a favor da redução da idade penal de 18 para 16 anos, ou até para menos de 16 anos.

- Ao nosso ver, explica o certo desespero da juventude de hoje que diante dessa realidade de violência muito forte no seu cotidiano, apóiam qualquer medida que seja sugerida, que pareça que pode contribuir para ajudar a resolver e combater o problema da violência social.

A pesquisa Perfil da Juventude Brasileira ouviu 3.501 jovens em todas as regiões do país, em áreas urbanas e rurais, e em 198 municípios. Além de responderem a questões sobre a violência e o emprego, os jovens deram sua opinião sobre educação, sexo, uso de drogas e segurança. O Relatório Mundial sobre a Juventude 2005 também ressalta esses temas e salienta que mais de 200 milhões de jovens no mundo vivem em situação de pobreza, 130 milhões são analfabetos, 88 milhões estão desempregados e 10 milhões estão contaminados com o vírus do HIV.

Nas recomendações finais, o relatório da ONU cobra ações governamentais em prol da juventude para alcançar os objetivos de desenvolvimento do milênio.

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