Rio de Janeiro, 30 de Abril de 2026

Violência contra a mulher em Goiânia aumenta

Sexta, 25 de Novembro de 2005 às 10:11, por: CdB

As estatísticas indicam que aumentou a violência contra a mulher na cidade de Goiânia. Entre 2004 e 2005, os números da violência, motivados em sua maioria pelo ciúme e uso de drogas sobre mulheres analfabetas (42%) ou alfabetizadas (38%), em todas as idades e classes sociais, cresceu em cerca de 17% e ainda foram acrescidos de 15 assassinatos entre os meses de janeiro e outubro deste ano.

Os dados sobre o crescimento da violência são da Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher. Os números que revelam a face da agredida e do seu agressor são uma mostra de levantamento feito, no ano passado, pelo Centro de Valorização da Mulher (Cevam) e que estão sendo divulgados hoje, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher.

- Os números são reais e também atuais porque as mulheres estão, a cada dia, mais descrentes em relação à lei porque as penas impostas ao agressor são vergonhosas - afirmou Maria das Dores Dolly Soares, presidente do Cevam.

As estatísticas também indicam que a agressão física (45%) e os estupros (15%) são os tipos de violência mais empregados e, em geral, consumados na presença dos filhos (73%) das vítimas.

E sem qualquer interferência dos vizinhos na maioria absoluta (65%) dos casos.

Entre os agressores, 42% são os chamados "companheiros"; 10%, os "namorados"; 28%, o "marido"; 5%, o "pai da vítima"; enquanto a figura de "outros", que envolve vizinhos, irmãos, desconhecidos ou parentes das vítimas, responde por 15% das violações cometidas contra a mulher em Goiânia.

- Todos estes crimes estão sendo praticados com crueldade. A crueldade é tamanha que além dos espancamentos elas são feridas ou mortas com emprego de tesouras, cabos de rodo, facas e até chaves de fenda - afirmou a delegada Miriam Aparecida Borges de Oliveira, responsável pela Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher.

A punição para a delegada de Polícia de Defesa da Mulher e para a presidente do Centro de valorização da Mulher poderá ser efetiva e rigorosa a partir da aprovação do Projeto de Lei (PL) 4.559, a ser apreciado hoje pelo Senado federal, em Brasília.

Isto porque o PL prevê, entre outras coisas, a criação de um Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, e a Lei determina que as queixas, que hoje são retiradas na delegacia, apenas poderão ser anuladas em juízo - se o juiz do caso permitir a negação, renúncia ou retratação.

Tags:
Edições digital e impressa