Chega às livrarias A banalização da violência: a atualidade do pensamento de Hannah Arendt. O livro reúne uma série de artigos apresentados no Colóquio Internacional, da Universidade Federal do Paraná, em 2002. Divididos em seis blocos temáticos, o livro é uma boa oportunidade para se ter uma visão mais experimentada do pensamento arendtiano. O posfácio é de Celso Lafer, ex-aluno da filósofa alemã nos anos 60.
Hannah Arendt pode fechar uma trinca de filósofos contemporâneos que melhor soube explicar a violência que hoje é mola mestra de qualquer bom noticiário. Junta-se a ela o francês Guy Debord, com a associação da máfia e demais políticas agressivas ao espetáculo, ou a uma apreciação mercadológica; e Bertrand Russel, que apontou as origens das desigualdades econômicas como principal indicativo para a agressividade moderna. Já Arendt, conforme se comprova logo nos primeiros textos de A banalização da violência, se preocupou em desenvolver as bases da violência ao analisar sentimentos como o ódio e o ressentimento para a disseminação do anti-semitismo, e outros exemplos de diferenciação entre sociedades. Os três pensadores direcionaram seus argumentos ao plano político.
Ler os textos de A banalização da violência é um convite a uma análise apurada do cenário político atual. Melhor ainda, um raciocínio que pode ser aplicado a diversos setores (notem as semelhanças com os personagens do filme Elefante, em cartaz, ou com eventos terroristas recentes na Espanha e em Gaza).
Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026
Edições digital e impressa