Os cerca de 80 vigilantes que fazem a segurança da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma das maiores instituições públicas de ensino no país, passarão a portar armas no início de fevereiro. Segundo o prefeito da instituição, Hélio de Mattos, desde o final do ano passado, os servidores estão passando por treinamento e avaliações psicológicas para que possam usar armamento. No início desta semana, um homem armado com um revólver invadiu o campus da Praia Vermelha e fez reféns alunos e professores do curso de Administração. Ele roubou relógios, celulares e dinheiro sem chamar a atenção dos vigilantes.
Mattos disse que a UFRJ quer a abertura de concurso para cem novos agentes federais, de modo a ampliar o efetivo. Atualmente, apenas 12 profissionais vigiam o principal campus, na Ilha do Fundão, em cada plantão, enquanto o campus da Praia Vermelha conta com apenas quatro em cada turno.
- Estamos pedindo ao governo federal a abertura imediata de 100 vagas, para que possamos trabalhar, minimamente, no planejamento da segurança da UFRJ. É muito importante ter esse efetivo para fazer toda a coordenação da segurança - afirmou Mattos.
Apesar da medida para aumentar a segurança dos alunos e funcionário, nem todos ficaram satisfeitos coma decisão. O coordenador do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRJ, Pedro Martins, acredita que aumentar o número de vigilantes e restringir o acesso aos prédios da universidade não vai proporcionar mais segurança aos alunos da instituição. Aluno do último período do curso de Comunicação Social, ele acredita que o assalto à unidade da Praia Vermelha não deve ser visto como uma ameaça à universidade, mas como uma conseqüência da violência no Rio.
Para ele, a melhor opção no período de férias da universidade é ocupar as salas de aula com projetos de extensão para a comunidade. Além de ocupar os prédios que estão vazios, a medida poderá integrar a academia com a sociedade, disseminando conhecimento para a população, dando mais oportunidade às pessoas e, conseqüentemente, reduzindo os índices de violência na cidade.
A UFRJ está implementando um plano de segurança desde agosto de 2004, com o objetivo principal de reduzir os roubos no campus da Ilha do Fundão. A instituição já instalou guaritas nas três entradas do campus e pretende por em funcionamento 20 câmeras até o mês de junho. No campus da Praia Vermelha, serão confeccionados crachás para alunos e servidores. Além disso, está prevista uma licitação contratar 16 porteiros e seguranças privados, o que dobrará o efetivo da unidade.