Rio de Janeiro, 15 de Fevereiro de 2026

Violência afeta 300 escolas do Rio

Quinta, 06 de Setembro de 2007 às 07:59, por: CdB

Uma pesquisa feita pela Secretaria municipal de Educação do Rio de Janeiro mostra que pelo menos 300 das 1.055 escolas municipais são afetadas pela insegurança nos bairros em que estão localizadas. O estudo é feito a cada dois anos com os diretores que, numa escala de um a dez, avaliaram a violência dentro e fora dos colégios.

A Polícia Militar disse que só vai se pronunciar quando receber um comunicado da Prefeitura do Rio.

Uma professora, que não quis se identificar, disse que viu a escola em que dá aulas há quase 20 anos ser engolida por uma favela e os problemas de segurança se agravarem.

— Recentemente um aluninho meu de 11 anos de idade, excelente aluno, foi morto em conflito entre polícia e traficante. Fora isso, a escola sempre é invadida. Neste caso, nós temos que ter jogo de cintura pra convencer as pessoas que entraram a se retirarem — declarou.


Segundo a pesquisa, quase 30% das escolas do município sofrem com a violência em seu entorno. As mais afetadas ficam no subúrbio e em parte da Zona Oeste do Rio, em bairros próximos a Bangu.

Este ano, oito escolas municipais do conjunto de favelas do Alemão, na Penha, no subúrbio do Rio, ficaram fechadas por três meses, por causa do confronto entre policiais e traficantes. 

Influência negativa

De acordo com a Secretaria municipal de Educação, a violência na região da escola pode ter reflexos no comportamento dos alunos. Professores dizem que, geralmente, eles têm a tendência de repetir dentro da sala de aula o que vivem aqui fora, na comunidade e em casa, com a família.
Apesar disso, a pesquisa revela que só 2% das escolas municipais registram casos de violência interna, envolvendo alunos, professores e funcionários.

Segundo Maristela Abreu, diretora do Sindicato dos Profissionais da Educação (Sepe), o índice pode chegar a 60%.

— O estudo provavelmente só enfocou os casos extremos. Os professores, que lidam diretamente com os alunos, ficaram de fora dessa consulta. Ela não reflete a realidade das escolas — disse.

A Secretaria de Educação afirmou que a pesquisa é feita com os diretores, mas com base nas informações colhidas com suas equipes.

Em maio, o Sepe divulgou um dossiê sobre escolas ameaçadas de violência. Segundo o documento, 200 escolas estavam ameaçadas pela violência, sendo 123 na cidade do Rio.

Prefeitura diz que números são corretos

A Secretaria municipal de Educação disse que os números da violência interna estão corretos e que confia na avaliação feita pelos diretores. A secretária Sônia Mograbi afirmou que a maior preocupação é com a violência do lado de fora das escolas.

— Vamos buscar pareceria com a Polícia Militar para cuidar das áreas mais complicadas — disse a secretária.

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