O governo brasileiro propôs nesta segunda-feira ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, a criação de uma comissão de investigação para apurar a ação militar da Colômbia em território equatoriano. A proposta será analisada amanhã, em uma reunião extraordinária da OEA.
De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o Brasil também defende que Insulza visite os dois países. Em entrevista coletiva, Amorim disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já conversou, por telefone, com os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, e do Equador, Rafael Correa.
Segundo o ministro, Uribe reconheceu a invasão territorial e afirmou ter pedido perdão por essa ação militar, que considera justificada. De acordo com Amorim, o pedido de desculpas não foi aceito e Correa teria rompido relações diplomáticas com a Colômbia nesta tarde.
— Não há dúvida que uma violação territorial é algo condenável —, avaliou o chanceler brasileiro, para quem cabe ao país que comete a ação militar provar que estava diante de circunstâncias que atenuem a violação.
A pedido do presidente Lula, Amorim já fez contato com chanceleres de outros países da América do Sul, que articulam uma forma de mediação.
— Passei as últimas 48 horas empenhado em buscar um ponto de convergência entre Equador e Colômbia —, afirmou.
O conflito entre os dois países começou após uma operação militar na fronteira no último sábado, quando o porta-voz e número dois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes, teria sido morto pelo Exército colombiano em território equatoriano.
Violação territorial é condenável, diz Amorim
Segunda, 03 de Março de 2008 às 16:04, por: CdB