O Mercado São Pedro, na Ponta da Areia em Niterói, é o maior centro de pescados do estado e o lugar certo para aquisição de peixes com qualidade. Inaugurado em 29 de junho de 1971, está com um projeto de revitalização para ser tornar um pólo turístico.
Gente de toda parte vai para visitar, adquirir os peixes e aproveitar para saboreá-los no segundo andar do Mercado, onde vários restaurantes ficam lotados. O Bar Temporal do seu Manoel existe há 35 anos. Lá o Marcelo atende com um sorriso agradável e tem sempre um jeitinho especial para conseguir um lugar, a disputa é acirrada e entre eles destacam-se também o Restaurante Alto Minho e Bom Peixe.
No térreo encontram-se os boxes com os mais variados tipos de peixes, frutos do mar e crustáceos. Vemos desde o peixe-porco, patinha de caranguejo, anchova, vermelho, ovas, e muito, muito camarão. Estamos na época deste crustáceo e há de todos os tipos, desde os pequeninos, médios chamados de cinza (que são de cativeiro) até os VM e os VG (que são do mar).
O lugar certo para adquirir um bom pescado é onde você confia e cria laços de amizade. Assim, quando vou ao Mercado, meu caminho certo é a Peixaria Cabo Frio dos irmãos Davison e Denison. E nesse sábado gostoso de inverno, com um sol aquecendo sem sufocar, eu parti para o Mercado de Peixes São Pedro, decidida a preparar um Camarão na Moranga. A decisão partiu de um vinho que queria degustar e estava aguardando a inspiração para fazê-lo. Aliás, isso me fez lembrar a frase do jornalista.Luiz Groff: “O enólogo é a pessoa que diante do vinho toma decisões e o enófilo é a pessoa que diante das decisões toma vinho”. Diante do vinho Premiun Casa Valduga Gerwustraminer 2006, decidi que seria muito bom poder harmonizá-lo com camarão.
Davison é uma simpatia e prontamente me ajudou a decidir o camarão, pois estava na dúvida entre o cinza médio e o VG. Levei os dois. O médio para o recheio da moranga e o VG para a ornamentação. Tudo com uma porção especial de gelo, para colocar no isopor, que é um objeto comum de se ver nas mãos dos consumidores pelo mercado.
De lá fui comprar a moranga no Box Cheiro Verde onde o seu Edvaldo, que já está lá há mais de 30 anos, criteriosamente escolheu uma abóbora sergipana de qualidade, além de dar dicas para fazer o Camarão na Moranga. Carinhosamente ouvi e aprendi um pouco mais.
Lá é uma delícia de aromas e cores. Na minha profissão, tenho por hábito buscar conhecer todos os aromas que posso, porque assim a minha memória tem bastantes referências para classificação dos vinhos. As ervas aromáticas são usadas desde os tempos mais remotos para ativar sabores, recriar comidas do dia-a-dia e harmonizar com outros ingredientes em combinações clássicas. Tal é o caráter individual das ervas – sozinhas ou combinadas uma com as outras -, que elas se tornaram símbolo de muitas cozinhas nacionais e regionais. O manjericão lembra o sul da França e a Itália, já o endro (dill, e tem gosto de salsa picante) é típico dos países nórdicos e o coentro é muito usado na China e na Bahia. Existem combinações clássicas, como o bouquet garni (termo francês para um amarrado de cheiros, muito usadas para caldos, sopas e ensopados), que consite em folha de louro, tomilho e salsa. Já a mistura tradicional de fines herbers é salsa fresca, cebolinha verde, estragão (tem um leve gosto de anis) e cerólfilo (assemelha-se a salsa, e o sabor também lembra o anis).
O Camarão na Moranga é um prato típico do nordeste brasileiro, e é feito com leite de coco, dando um paladar adocicado que harmonizado com o vinho da uva Gerwustraminer (leia-se “guervustraminer”, que quer dizer, gerwus: especiarias e traminer: cidade de onde vem a uva, ou seja, uva com gosto de especiaria que vem da cidade de Tramin (Alto Adige, nordeste da Itália)).
A Alsacia é a fortaleza dessa uva, que aí produz vinhos de colheita tardia com maior segurança do que outra casta nobre. No entanto os vinificadores de outras nacion
Vinho Gerwustraminer e o Mercado São Pedro
Quarta, 15 de Agosto de 2007 às 14:33, por: CdB