Rio de Janeiro, 26 de Outubro de 2026

Vinho e Pasta

Por Catia de Melo Silva - O que é bom dura pouco. Dessa forma ouvimos sempre a mesma máxima e concluímos que todo paradigma deve ser quebrado, quando provado. (Leia Mais)

Quinta, 18 de Outubro de 2007 às 08:12, por: CdB

O que é bom dura pouco. Dessa forma ouvimos sempre a mesma máxima e concluímos que todo paradigma deve ser quebrado, quando provado. O que é bom dura muito. Prova disso é o macarrão e a sua melhor combinação com o vinho. Mama mia! Uma pasta com uma taça!

A historia da “pasta secca” inicia-se há aproximadamente 7.000 anos quando o homem começou a abandonar a vida nômade e se tornou aos poucos colhedor e agricultor. É nessa época que a história do homem se cruza com a história do trigo e dá origem à “pasta”.

O trigo selvagem era plantado junto com outros cereais, e a cada colheita, no decorrer dos tempos o homem aprendeu a trabalhar o trigo cada vez melhor, moendo os grãos, amassando a farinha com água, estendendo a massa bem fina e cozinhando-a sobre uma pedra aquecida.

Da mesma forma as evidências arqueológicas sugerem que o vinho foi primeiramente produzido durante o período neolítico, entre 9.000e 4.000 a.C, nas montanhas de Zagros, uma região que corresponde a Armênia e ao norte do Irã, desse local de nascimento, o conhecimento do preparo do vinho espalhou-se na direção da Grécia. As videiras cresciam ao lado da azeitona, trigo e cevada e eram freqüentemente entrelaçadas com oliveiras e figueiras.

Muitos anos antes do nascimento de Cristo, os gregos já estavam acostumados a consumir os primeiros tipos de massa. A primeira indicação de algo parecido com macarrão remonta ao primeiro milênio a.C. Nesta época, a palavra grega laganon era usada para indicar uma folha fina grande, cortada em tirar. De laganon derivou o laganun latino, citado por Cícero em seus escritos e por Apício em De Re Coquinaria, do século IV d.C, o primeiro texto de gastronomia que chegou até nós.

Existia um hábito muito interessante para beber vinhos na Grécia, datado do movimento dos filósofos gregos, chamados de symposion, ou seja, um grupo de pessoas que se reuniam para beber vinho e filosofar ( algo como fazemos hoje quando recebemos nossos amigos em casa).

Sempre havia o beberrão e uma das regras para fazer parte desse seleto e intelectual grupo era não ficar de porre. Plutarco o escritor grego, colocou dessa maneira: “O beberrão é insolente e rude... Por outro lado, o abstêmio completo é desagradável e mais preparado para cuidar de crianças do que para presidir uma festa com bebidas”. Nenhum dos dois, acreditavam os gregos, era capaz de fazer uso adequado do presente de Dionísio.

O ideal grego estava em um ponto entre os dois, garantir isso era a tarefa dos symposion, manter o grupo reunido no limiar entre a sobriedade e a embriaguez, de tal modo que pudessem desfrutar de uma certa liberdade do discurso e ausência de preocupação, mas sem ficar violentos como os bárbaros.

O symposion refletia a natureza humana e tinha tanto bons como maus aspectos. Platão concluía que desde que certas regras fossem observadas, o lado bom do symposion poderia superar o lado ruim. Na verdade, quando ele organizou sua academia nas cercanias de Atenas, onde ensinou filosofia por cerca de 40 anos e escreveu a maioria de suas obras, o symposion forneceu o modelo para seu estilo de ensinar. Segundo anotou um cronista, após cada aula e debates, ele e seus estudantes comiam (um bom macarrão, pasta!!!!) e bebiam em conjunto,( com certeza harmonizando, cada bocado de pasta com um gole de vinho!), desfrutando a companhia em comum e principalmente  para se renovarem em debates sobre o que fora estudado.

Segundo as orientações de Platão, o vinho era servido em quantidades moderadas para assegurar que a principal forma de renovação fosse intelectual. Um contemporâneo observou que aqueles que estudavam com Platão se sentiam perfeitamente bem no dia seguinte. Nada melhor que aprender com quem escreveu grandes pensamentos para história da humanidade, fica assim uma citação que está em um fragmento de uma peça arqueológica: “Para homens sensatos, preparo somente

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