Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Vingança dos senadores não prejudica agência, garante governista

Quinta, 16 de Julho de 2009 às 08:35, por: CdB

A rejeição do Senado ao nome de  Bruno Pagnoccheschi, por 30 votos a 20, para mais um mandato como diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), causada pelas últimas declarações políticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não trará consequências administrativas para a instituição. A informação é do presidente da Comissão de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, Renato Casagrande (PSB-ES), na manhã desta quinta-feira.

– Outros diretores que estão efetivados dão conta do serviço. Nós demos um azar danado porque na hora da votação do nome chegou a notícia do “pizzaiolo” (referência do presidente Lula aos senadores da oposição) e daí deu no que deu – disse Casagrande.

Agora, caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviar ao Senado a indicação de outro nome para o cargo. Casagrande acredita que isso pode ser feito logo após o recesso, em agosto. A mensagem presidencial terá que cumprir o rito burocrático de sabatina e aprovação do nome indicado pela Comissão de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia para, em seguida, ser submetida ao plenário do Senado.

Fogo no Senado

A declaração de Lula, na véspera, ateou fogo no plenário do Senado. Lula disse que os senadores da oposição são "bons pizzaiolos", o que causou uma imediata reação dos parlamentares.

– CPI é muito interessante para quem quer fazer carnaval, para quem quer investigar seriamente era preciso ter outro mecanismo – disse Lula a jornalistas.

Perguntado sobre comentários do líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (DEM-RN) de que a CPI acabaria em pizza "temperada com pré-sal (numa referência à exploração de petróleo em águas profundas)", o presidente não titubeou:

– Depende, eles (os senadores da oposição) são todos bons pizzaiolos – afirmou.

A maioria dos senadores, porém, tomou as dores do colega e se vingou, derrotando em plenário a indicação de Pagnoccheschi para a direção da (ANA). O líder do governo na Casa, e relator da CPI, Romero Jucá (PMDB-RR), pediu que a sessão fosse suspensa para evitar estrago maior para o governo.

A CPI da Petrobras foi instalada na véspera com controle da base governista, que ficou com a presidência e a relatoria da comissão e sob críticas da oposição de que a maioria do governo poderia fazer com que as investigações acabassem em pizza. Aos jornalistas, Lula explicou que sua preocupação no momento é o novo marco regulatório do petróleo, cuja proposta está prevista para ser entregue para ele dentro de duas semanas.

– A mim não me preocupa (a CPI), eu quero anunciar ao Brasil qual é esse novo marco regulatório – disse após participar da cerimônia de posse do novo presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Lula aproveitou também para criticar a oposição, afirmando que a "turma que queria privatizar ela (Petrobras), está hoje preocupada com a Petrobras... a oposição grita, eu trabalho", concluiu.

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