Rio de Janeiro, 20 de Abril de 2026

Villepin encontra sindicalistas para tentar conter protestos

Primeiro-ministro da França, Dominique de Villepin realizou nesta sexta-feira as primeiras negociações diretas com sindicatos do país em meio à tentativa de acabar com a crise detonada por um novo tipo de contrato de trabalho para jovens. Mas os sindicatos repetiram sua exigência de que o governo abra mão da medida. (Leia Mais)

Sexta, 24 de Março de 2006 às 08:20, por: CdB

Primeiro-ministro da França, Dominique de Villepin realizou nesta sexta-feira as primeiras negociações diretas com sindicatos do país em meio à tentativa de acabar com a crise detonada por um novo tipo de contrato de trabalho para jovens. Mas os sindicatos repetiram sua exigência de que o governo abra mão da medida. O encontro aconteceu um dia depois de jovens terem queimado carros, saqueado lojas e roubado manifestantes estudantis ao final de grandes passeatas de protesto contra o Contrato do Primeiro Emprego (CPE), em Paris e em outras cidades.

Em Bruxelas, porém, o presidente francês Jacques Chirac descartou, nesta sexta, o cancelamento do polêmico plano para um novo contrato de trabalho para os jovens na França, uma exigência da oposição e de grupos de trabalhadores.

- Não há questão para um ultimato. Quando uma lei é adotada, ela deve ser aplicada - disse Chirac em uma coletiva de imprensa depois de um encontro de cúpula da União Européia em Bruxelas. Ele destacou, no entanto, a necessidade de discussões abertas entre o governo e os sindicatos sobre a lei, que tem o objetivo de facilitar a contratação e a demissão de jovens pelos empregadores.

Violência

Policiais antimotim dispararam bombas de gás lacrimogêneo e prenderam centenas de pessoas enquanto tentavam conter a onda de violência. Um estudante foi hospitalizado em Paris com graves ferimentos na cabeça. Os distúrbios de quinta-feira, os piores ocorridos em meio a protestos até agora quase exclusivamente pacíficos, levaram às cenas ocorridas no ano passado nos subúrbios pobres de cidades francesas para o coração elegante da capital.

Villepin defende o CPE como uma arma no combate às taxas de desemprego entre os jovens, atualmente em cerca de 23%. Mas pessoas contrárias ao novo contrato afirmam que ele criará uma geração de jovens "trabalhadores Kleenex" (uma marca de lenços de papel) que podem ser descartados pelos patrões com um estalar de dedos.

- Esse CPE está morto - afirmou o jornal Le Parisien na sexta-feira, informando que o premiê estaria disposto a fazer grandes concessões para selar um acordo sobre o novo contrato e colocar fim à pior crise política de seus dez meses de governo.

O jornal publicou uma pesquisa de opinião mostrando que 66% dos franceses se opõem à lei. As manifestações atingiram os índices de popularidade de Villepin, prejudicaram seus planos de concorrer à Presidência do país em 2007 e provocaram rachas no partido governista União para um Movimento Popular (UMP). Jean-Claude Mailly, cujo sindicado FO é um dos cinco que responderam a um convite feito por Villepin na quinta-feira, disse que o dirigente precisava atender às exigências feitas nas manifestações.

- Não temos nenhuma informação sobre a possibilidade de o primeiro-ministro estar prestes a abandonar o CPE, mas é exatamente isso que vamos exigir dele - afirmou Mailly.

Divisão política

Os sindicatos franceses convocaram uma greve geral de um dia, marcada para terça-feira, a fim de aumentar a pressão sobre o governo. O CPE permite que os empregadores demitam, sem justa causa, qualquer funcionário com menos de 26 anos contratado até dois anos antes. Apesar de Villepin ter pedido aos congressistas do UMP, nesta semana, que se mantenham firmes até o fim da tempestade, o presidente do país, Jacques Chirac, vem conclamando o premiê a renovar o diálogo com os sindicatos e abrir um caminho para a superação do impasse.

Instigados pelo chefe de Estado e pelo partido governista, ministros do governo ofereceram diminuir pela metade (para um ano) o período de experiência e exigir dos patrões que justifiquem as demissões. Mas os sindicatos dizem desejar que a lei seja suspensa ou revogada antes de abrir negociações mais amplas. Comentaristas afirmam que o CPE transformou-se em mais uma arma no embate entre Villepin e o presidente do UMP, Nicolas Sarkozy, atual ministro do Interior e

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