A favela Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, amanheceu tranquila na manhã desta sexta-feira, mas a polícia continua ocupando a região. Funcionários da Light começaram a fazer reparos para tentar restabelecer o fornecimento de luz que desde terça-feira foi cortado por conta do forte tiroteio entre a polícia e traficantes no morro.
Na operação, dez pessoas morreram, entre elas crianças, e o pânico tomou conta dos moradores da favela.
Promoção
Segundo nota da Secretaria de Segurança Pública, divulgada na última quarta-feira, o BOPE apreendeu na Penha um lote de munição para metralhadora ponto 50, de extremo potencial bélico. As balas têm tamanho semelhante à de uma garrafa long neck. O material está exposto no 16º BPM (Olaria) e posteriormente será encaminhado à 21 ª DP (Bonsucesso).
O site Fazendo Média destacou, também na quarta feira, a ausência de espaço na mídia dadas às mortes em detrimento às conquistas da PM, que para eles são promocionais da instituição e das ações violentas:
"A denúncia fartamente documentada de execução - feita por uma mãe que perdeu um filho - durante a matança de ontem sumiu dos noticiários, que na verdade nunca se importaram muito com as diversas categorias de pobres - ou de insetos. Costumam optar pelo elogio aos vermes", concluiu o site.
Críticas
Na última quarta-feira o comandante do 1º Comando de Policiamento de Área (CPA), coronel Marcus Jardim afirmou que sua força é o "melhor inseticida social" existente e foi posteriormente duramente criticado por ativistas sociais.
- A PM é o melhor remédio contra a dengue. Não fica um mosquito em pé. É o SBPM. O melhor inseticida social - afirmou o coronel.
A diretora da ONG Justiça Global, Sandra Carvalho, disse que as afirmações revelam que o comandante vê as invasões em favela como "uma operação de limpeza social em que cada pobre da população tem que ser extirpado".
- Essa é a lógica da segurança pública no Rio - acrescentou.
Já Tim Cahill, da Anistia Internacional em Londres, afirmou:
- A política da polícia de supostamente combater o crime por meio de operações violentas e de assassinatos apenas faz aumentar a insegurança - disse.