Das 19h de quarta-feira até às 3h desta madrugada, parlamentares, artistas, representantes de movimentos ambientalistas e líderes indígenas realizaram, no Plenário do Senado, uma vigília pela preservação da Amazônia. Promovido pelas comissões Mista do Aquecimento Global, de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor, Fiscalização e Controle (CMA), o evento recebeu apoio do movimento Amazônia para Sempre e contou com a participação da sociedade, que enviou mensagens eletrônicas e por telefone durante toda a vigília.
Os atores Christiane Torloni e Victor Fasano trouxeram abaixo-assinado com mais de um milhão e cem mil assinaturas. O documento recebeu o apoio dos presidente do Senado, José Sarney, e da Câmara, Michel Temer. Pouco antes da meia-noite, a Câmara Federal aprovou a MP 458/09 que regulariza terras na Amazônia. A medida permite que a União transfira, sem licitação, terrenos de sua propriedade na Amazônia Legal com até 1,5 mil hectares, a quem detinha sua posse antes de 1º de dezembro de 2004.
Durante a vigília em prol da preservação da Amazônia, representantes de diversas entidades se manifestaram contra a aprovação desta medida, que agora será analisada pelo Senado.
Movimento
A ideia, do Movimento Amazônia para Sempre, foi apresentada ao Senado pela atriz Christiane Torloni e recebeu o aval do presidente José Sarney. A vigília foi aberta pela senadora Ideli Salvatti (PT-SC), presidente da comissão Mista do Aquecimento Global, que coordena os trabalhos realizados por senadores e integrantes de organizações não governamentais. Também participam da reunião conjunta das comissões o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc e o ministro chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger.
Serão discutidas as ameaças sobre a Amazônia, com análise das políticas públicas para a região e das iniciativas legislativas em tramitação no Congresso. Terão voz na audiência os povos e comunidades tradicionais da região. Em outro momento, após a primeira manifestação dos parlamentares, será discutida a importância estratégica da conservação da Amazônia e sua implicação para a regulação do clima e para a economia em escalas nacional e global.
Ao encerrar a vigília, a senadora Ideli agradeceu ao presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP) pelo apoio ao evento. Ela também agradeceu aos parlamentares e artistas que participaram do movimento, aos servidores do Senado que tornaram a vigília realidade em menos de uma semana e aos mais de um milhão de brasileiros que participaram do abaixo-assinado Amazônia para Sempre.
Antes do encerramento, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) informou que enquanto o Brasil é hoje o quarto poluidor do mundo, por causa das queimadas, é a décima economia do planeta. Para o senador, esses números mostram que nosso país está poluindo mais do que gerando riquezas.
– Se o Brasil mantivesse a posição de décima economia do mundo e acabasse com as queimadas, estaria poluindo menos do que gerando riquezas, essa seria a equação que ligaria efetivamente o sentimento de preservação ambiental com a ideia da economia que tem que avançar para gerar riqueza para uma população de 190 milhões de habitantes – argumentou Virgílio.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) muito emocionado, leu poema de Thiago de Mello em homenagem a Chico Mendes, que abre o livro Vozes da Floresta, lançado no Acre em dezembro do ano passado. A obra foi publicada por iniciativa do Grupo de Trabalho da Amazônia (GTA), Conselho Nacional dos Seringueiros e Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).