Três anos depois dos ataques em série a moradores de rua no centro de São Paulo, que deixaram sete mortos e oito feridos graves, todos vítimas de golpes violentos na cabeça, nenhum processo foi finalizado e não há condenados. Neste domingo, entidades religiosas e civis farão uma noite de vigília para lembrar os crimes. A vigília será encerrada com o Ato Pela Vida, com a participação do arcebispo metropolitano de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, nas escadarias da Catedral da Sé.
Este é o terceiro ano de realização do Ato pela Vida, mas o primeiro que será precedido pela vigília, das 22 horas às 10 horas de segunda-feira. Durante o ato, serão apresentados cantos, uma encenação de peça criada e executada por moradores de rua, um vídeo documentário sobre os massacres e das mobilizações de solidariedade que se seguiram, além de visita com preces e velas a alguns dos locais em que as pessoas foram atacadas e mortas. O ato é organizado pela Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo.
— Nós mais uma vez vamos estar reunidos com autoridades da cidade, com representantes dos grupos das igrejas e dos movimentos. Estará presente o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, o bispo da Igreja Anglicana, da Igreja Metodista, um rabino, um xeque. O que nós queremos é mais uma vez mostrar nossa indignação. Nós não vamos esquecer. Nós vamos continuar cobrando até que a Justiça dê uma resposta — disse o coordenador da pastoral padre Júlio Lancelotti.
Segundo padre Júlio, os sobreviventes dos ataques são pessoas que tiveram suas vidas comprometidas para sempre.
— Todos eles estão lesionados, todos os que não morreram, não têm condições nem de dar informações — disse.
Sobre a situação atual dos moradores de rua e das medidas de segurança e sociais adotadas após o massacre, padre Júlio disse que “continua a mesma coisa”. Segundo ele, a pastoral tem feito várias ações, inclusive um trabalho em conjunto com o Ministério Público para acompanhamento das políticas públicas e ações referentes aos moradores de rua.