Mutirão de cirurgias
O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into) iniciou nesta terça-feira mutirão de cirurgias que irá beneficiar, ao longo da semana, 36 pacientes com diferentes problemas na coluna, como escoliose, doenças degenerativas e fratura. O trabalho prosseguirá até sexta-feira. O diretor-geral do Into, João Matheus Guimarães, destacou, em entrevista à Agência Brasil, que a instituição tem uma alta demanda reprimida de pacientes que procuram a instituição para cirurgias de alta complexidade, não só no município do Rio de Janeiro, mas até em todo o país. O instituto é o principal hospital em ortopedia da Central Nacional de Regulação da Alta Complexidade do Ministério da Saúde. No caso da cirurgia de coluna, ele estima que a fila alcance cerca de 4 mil pacientes. O Centro de Cirurgia de Coluna do Into efetua em torno de 300 cirurgias por ano, envolvendo 29 tipos diferentes de procedimentos de alta complexidade. Segundo informou, coluna, quadril e joelho constituem as três grandes áreas de pacientes na fila do Into. - Nós temos uma fila bem grande. A partir disso, e em acordo, inclusive com o Ministério Público, que tem nos pressionado bastante contra essa fila, o Into tem realizado, sequencialmente, os chamados mutirões, em que visa a fazer um esforço concentrado para operar mais pacientes naquela semana e, com isso, tentar diminuir um pouco esse problema - explicou. Segundo João Matheus Guimarães, o grande problema do Into é que ele não dispõe de leitos para uma permanência dos pacientes por mais de sete dias internado. “Se eu começar a operar muitas cirurgias complexas, em que o paciente fique mais de sete dias internado, eu deixo de operar outras pessoas. Essa equação é que a gente fica, como gestor, tentando equilibrar”. Atualmente, o instituto tem menos de 300 leitos abertos para internação e recuperação de doentes pós-cirurgia. Guimarães avaliou que é necessária uma rede de hospitais ortopédicos capacitados. “Não dá para o Into ficar fazendo tudo. Existem coisas de baixa e média complexidade que outros hospitais poderiam estar fazendo”, comentou. Esse é, esclareceu o diretor-geral, o grande desafio dos gestores públicos do estado do Rio de Janeiro e de todo o Brasil. De acordo com dados fornecidos pela assessoria de imprensa do Into, a cirurgia de coluna pode durar de quatro a dez horas e, em alguns casos, necessita ser feita em duas etapas, dependendo da gravidade do caso. Daí demandar um maior tempo de internação hospitalar, que pode ultrapassar 20 dias, nos casos mais graves.Into
A Defensoria Pública da União (DPU) recorreu à Justiça para que a União apresente, em 160 dias, um plano para reduzir a fila de espera do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). De acordo com a DPU, 14.077 pessoas aguardam na fila para cirurgias e outros procedimentos médicos no instituto federal. A ação civil pública impetrada na segunda-feira também pede que a Justiça estipule alguns prazos à União, entre eles, o de 60 dias para abrir concurso público e contratar temporariamente médicos, de 140 dias para implantar um sistema informatizado de gerenciamento das filas (que possa cruzar com dados de outros hospitais federais) e de dois anos para zerar a espera por atendimento no Into. Caso a Justiça aceite a ação, a Defensoria Pública ainda pede uma multa diária de R$ 10 mil por descumprimento dos prazos e o bloqueio de verbas publicitárias do Ministério da Saúde até que as obrigações sejam cumpridas.