O ministro da Defesa, José Viegas, disse nesta quinta-feira ser favorável à exportação pelo Brasil de urânio não-enriquecido. Segundo o ministro, o assunto não está sendo cogitado pelo governo uma vez que a capacidade de processamento do urânio ainda não está dominada pelo país. Mas Viegas revelou estar otimista para que, nos próximos anos, o Brasil possa viabilizar a exportação de urânio enriquecido.
- Acho que temos que investir na indústria nuclear. Embora os resíduos não tenham solução definitiva, isso será encontrado - defendeu.
As discussões sobre exportação de urânio voltaram à discussão depois da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, no final de maio. O governo brasileiro não firmou acordo com a China para a exportação de urânio, uma vez que o governo brasileiro assumiu internacionalmente o compromisso de só fazer cooperação nessa área com países que são "responsáveis nuclearmente".
Viegas enfatizou que a tecnologia nuclear brasileira é aplicada com fins pacíficos. A prova disso, segundo o ministro, é que o Brasil é o único país do mundo que possui instalações militares abertas à inspeção da agência atômica internacional. "É a garantia plena de que os nossos programas nucleares são dedicados a fins pacíficos", resumiu.
Viegas também é favorável ao projeto aprovado pelo Senado Federal que regulamenta a participação das Forças Armadas em centros urbanos. O ministro deixou claro, porém, que o projeto não concede poder de polícia para que homens do Exército atuem em áreas urbanas.
- Ele não autoriza o combate ao crime em todo o país. Ele é prudente. Autoriza o Exército a ações preventivas na área da fronteira, A Marinha em águas territoriais e portuárias, e a Aeronáutica no espaço aéreo. O Exército, por exemplo, não tem poder de polícia em áreas urbanas - ressaltou.