Há 20 anos, quando o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) era criado pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, a desconfiança e a visão tupiniquins de certos analistas tentaram minimizar suas reais possibilidades. Hoje, quando comemora duas décadas de existência, e após ter sido uma das prioridades do governo Lula, sua importância é indiscutível.
Além de fortalecer seus países membros, o MERCOSUL impõe-se no contexto global com força e expressão. É hoje o 4º maior bloco do mundo e tem entre seus associados - além dos países membros - Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Peru e a Venezuela. Esta aguarda aprovação de sua inclusão.
Sem dúvidas, hoje o bloco é um importante instrumento para o fortalecimento dos países do Sul. Avaliado pelos seus membros como tendo conquistado alto nível em matéria de integração econômica, o Bloco movimenta a partir do seu comércio cerca de US$ 45 bi - um avanço excepcional se comparado aos US$ 4,5 bi de 1991.
Bloco contribui para caminhada da integração
Em carta, a Chancelaria do Paraguai (o país exerce neste semestre a Presidência rotativa do bloco), assinal que os avanços do MERCOSUL deram-se em "temas sensíveis como a eliminação da dupla cobrança da tarifa externa, o código alfandegário, e disciplinas comerciais comuns, cujos acordos em outras épocas pareciam muito distantes".
Segundo o documento, referendado por chanceleres dos países membros, o bloco hoje "é uma potência energética em expansão e corresponde ao território agrícola mais produtivo do mundo". Além disto, há a determinação de caminharmos "em direção a um verdadeiro estatuto da cidadania do bloco".
Entre as principais conquistas, o documento cita o Fundo de Convergência Estrutural do MERCOSULsul (FOCEM), que opera para diminuir as diferenças econômicas entre seus membros. Destaco também como extremamente positivo o apoio mútuo com grandes investimentos em obras de infraestrutura, educação e tecnologia. Além da aprovação do cronograma que levará ao fim da cobrança dupla da Tarifa Externa Comum (TEC) até 2012.
Avanços e desafios
Situo, no mesmo patamar de importância, a instituição de fundos compensatórios e a programação de investimentos da ordem de quase U$S 800 milhões para diminuir as diferenças econômicas entre seus integrantes. Além dos avanços no crédito do Fundo Emergencial, o uso de moedas locais e a investimentos deste Fundo voltados ao avanço de pequenas e médias empresas, medidas que visam estruturar efetivamente o mercado comum no continente.
Agora é caminhar rumo a um novo patamar de integração, em que trocaremos não apenas mercadorias e matérias primas, mas, sobretudo, serviços, tecnologia e capitais. Todos sabemos que os desafios não são pequenos.
Precisamos enfrentar a questão da livre circulação de bens e serviços, destravar das barreiras tarifárias e instaurar o Banco do Sul - ou um Eximbank - para alavancar nossa integração e o comércio regional.
Desafios que se colocam no horizonte, mas certamente, serão enfrentados.
Rio de Janeiro, 09 de Agosto de 2026
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