O repórter Rajiv Chandrasekaran, especial para o Washington Post esteve no local e, na edição impressa deste domingo, o diário norte-americano publica a reportagem na qual o jornalista descreve desta maneira o que viu por lá.
"A água que surge do Rio de Eufrates, há alguns dias, primeiro acaba com a aparência ressequida do solo em suas margens. E assim, em um crescendo, começam a florescer os pequenos ramos ao largo das áreas inundadas, onde novos remanços são formados no horizonte.
"Hamdulillah", entona Salim Sherif Kerkush, sheik da pequena vila.
Línguas diminutas agora tocam a superfície espelhada. Pássaros aquáticos constróem seus ninhos nas pequenas ilhas que vão surgindo. Os meninos gastam suas poucas horas no início da manhã em mergulhos, antes de embarcarem nos finos barcos que singram o rio, onde irão lançar suas redes feitas à mão.
- A água é nossa vida. É um presente de Deus tê-la de volta - diz Kerkush, olhando para o estuários que agora chega a apenas alguns passos do quintal de sua casa.
Doze anos atrás, Saddam Hussein ordenou que os pântanos, na vastidão do Sudeste iraquiano fossem drenados, transformando a terra numa paisagem lunar, para eliminar os lugares onde seus oponentes chiitas. Engenheiros iraquianos reabriram as comportas novamente.
O fluxo não ocorre de uma vez só, pois a abertura das represas enfraqueceu os poderosos Tigre e Eufrates, fontes alimentadoras dos pântanos, mas o impacto foi profundo. Enquanto o espelho d'água expande-se, gradualmente, a cobertura vegetal começa rapidamente a surgir, com a volta das plantas, dos animais e de uma forma de vida para os árabes daquele pedaço de terra milenar, o qual Saddam tentou, ao longo de décadas, extinguir."