O vice-presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Antônio Carlos Valente, pediu demissão nesta sexta-feira alegando motivos pessoais. Ele estava na autarquia desde sua criação, em novembro de 1997 e terá que ficar afastado de atividades na área por quatro meses.
"A agência está em boas mãos. Se não estivesse, certamente eu não estaria saindo", afirmou ele a jornalistas ao anunciar a decisão.
Demonstrando tranquilidade e bom humor, Valente desvinculou seu desligamento de motivações políticas. Seu nome foi cogitado para assumir a presidência da Anatel por duas vezes, mas perdeu para Luiz Guilherme Schymura e para o atual presidente, Pedro Jaime Ziler.
Valente chegou até a ser presidente interino da Anatel entre março e maio de 2002, logo após a saída de Renato Guerreiro.
"Sempre tive pressão doméstica. Neste nove anos que vivo em Brasília, minha família só viveu comigo por dois anos e oito meses. Está na hora de dar mais atenção a ela", afirmou Valente, negando também que sua saída pudesse estar relacionada à criação da nova lei das agências reguladoras, que está sendo preparada pelo Congresso Nacional.
Com a saída de Valente, ficam abertas duas vagas --do total de cinco-- na Anatel, o que abre caminho para que o PT tenha maioria na autarquia. O atual presidente já foi indicado pela gestão atual. O governo precisa ainda indicar quais serão os substitutos para essas vagas.
Valente disse que não recebeu nenhuma proposta nova de emprego.