Rio de Janeiro, 10 de Fevereiro de 2026

Vice-prefeito de Treviso quer expulsar os gays da cidade

O vice-prefeito de Treviso, no nordeste da Itália, Giancarlo Gentilini, abriu uma polêmica no país ao defender limpeza étnica contra os homossexuais. Conhecido como xerife Genty, ele prometeu varrer todos os gays da cidade durante entrevista a uma emissora de televisão. (Leia Mais)

Sexta, 10 de Agosto de 2007 às 07:19, por: CdB

O vice-prefeito de Treviso, no nordeste da Itália, Giancarlo Gentilini, abriu uma polêmica no país ao defender limpeza étnica contra os homossexuais. Conhecido como xerife Genty, ele prometeu varrer todos os gays da cidade durante entrevista a uma emissora de televisão.

— Darei rapidamente autorização a minha chefe de Polícia para que seja feita uma limpeza étnica dos gays —, disse Gentilini, ao descobrir que um estacionamento da cidade tinha sido transformado em ponto de encontro e troca de casais.

— Eles devem ir para outras capitais de regiões dispostas a aceitá-los. Aqui em Treviso não há nenhuma possibilidade para gays e similares —, disse.

Gentilini, que já se apresenta como candidato a prefeito do partido de direita Liga Norte para as próximas eleições, prometeu reforçar o sistema de vídeo-vigilância na cidade, mas garantiu ter um método mais eficiente para “exterminar” os homossexuais.

— Para mim interessa mais que seja feito o controle visual pessoal. Quando a minha polícia vigiar a zona será um corre-corre geral —, afirmou.

As duras declarações do vice-prefeito acabaram gerando protestos de representantes de associações que defendem os direitos dos homossexuais, bem como de parlamentares de direita e de esquerda.

— A expressão limpeza étnica lembra tragédias da história que trouxeram luto e sofrimento a milhões de pessoas —, assinalou a ministra para a Família Rosy Bindi.

— Ninguém, sobretudo aqueles com responsabilidade pública, tem autorização para usar linguagem ofensiva, que alimenta inaceitáveis discriminações —, criticou.

Arcigay, a mais importante associação de defesa dos homossexuais italianos, está organizando um protesto em frente à sede da Prefeitura de Treviso.

— Todos os democratas do país estão convidados a protestar conosco, usando um triângulo rosa no peito, símbolo dos homossexuais presos nos campos de concentração —, disse Alessandro Zan, presidente da Arcigay da região do Vêneto.

— Vamos protestar com beijos de casais gays, embaixo da janela do gabinete dele —, afirmou.

Franco Grilini, deputado da Esquerda Democrática, criticou as palavras duras do vice-prefeito. De acordo com ele, Gentilini cometeu um delito, de acordo com a lei existente no país contra o racismo e a homofobia. O parlamentar foi taxativo: ele deve se demitir.

Até mesmo Roberto Calderoli, líder do partido de Gentilini, não poupou críticas à expressão “limpeza étnica”. Outras lideranças da centro-direita italiana consideraram as palavras do vice-prefeito intolerantes, desrespeitosas e com ausência de civismo.

Essa não é a primeira polêmica protagonizada por Gentilini. Na Itália, ele é conhecido por suas declarações e ações contra minorias. Imigrantes, prostitutas, muçulmanos, ciganos e dependentes de drogas são suas principais vítimas.

O "xerife" Genty também já defendeu impedir com tiros de espingarda a entrada dos imigrantes ilegais que chegam pelo mar na Itália. Em outra ocasião defendeu que eles fossem vestidos de lebres, para exercitar os caçadores locais.

Quando soube que suas declarações contra os homossexuais tinham gerado enorme polêmica no país, Gentilini foi irônico.

— Falta pouco para uma intervenção da ONU —, brincou.
 

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