Rio de Janeiro, 10 de Outubro de 2026

Vice da Agricultura é acusado, sai e engrossa demissões recordes

Segunda, 08 de Agosto de 2011 às 04:56, por: CdB

Vice da Agricultura é acusado, sai e engrossa demissões recordes Acusado de ligação com lobista que faria negócios ilegais no ministério da Agricultura, secretário-executivo da pasta, o número dois na hierarquia, pede demissão. No ano, mais de 320 servidores federais já perderam os cargos por irregularidades, sobretudo por corrupção, um recorde, segundo a Controladoria Geral da União (CGU). Na mira de contra-ataque de aliados de Dilma Rousseff descontentes com rigor, Diretório Nacional do PT apoia medidas adotadas pela presidenta, que manifesta "confiança" no ministro da Agricultura.

André Barrocal

BRASÍLIA – Acusado de participar de práticas corruptas, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, perdeu o secretário-executivo, Milton Ortolan, pelo mesmo motivo. Ortolan pediu demissão sábado (06/08) depois de uma reportagem ligá-lo a um lobista que faria negócios ilegais no ministério. Ele junta-se a mais de 320 funcionários públicos que já perderam o cargo neste ano por irregularidades, volume recorde, segundo o governo.

A mesma reportagem implica Rossi, que já tinha sido forçado a se explicar nos últimos dias sobre outros casos. Mas, por ora, o ministro continua no cargo e conta com a “confiança” da presidenta Dilma Roussef, segundo informou a Secretaria de Imprensa da Presidência neste domingo (07/08). Ele é indicado do vice de Dilma, Michel Temer.

A manifestação de “confiança” de Dilma segue estratégia traçada por ela com auxiliares próximos de tentar evitar, como a presidenta mesma disse, “medidas midiáticas” contra denunciados.

O rito sumário dispensado a autoridades do ministério dos Transportes envolvidas em denúncias e o uso, por auxiliares de Dilma, da expressão “faxina” para caracterizar as providências tomadas incomodaram alguns partidos aliados da presidenta. Eles acham que Dilma os despreza, estaria sensível demais à pressão da mídia e inclinada a sacrificá-los.

Nos bastidores do Congresso, alguns dos descontentes com o rito sumário começam a planejar um contra-ataque a Dilma, que viria na forma de uma CPI assim que houver uma denúncia da imprensa contra um ministro do partido da presidenta, o PT.

Mesmo na mira, os petistas tentam mostrar sintonia com Dilma. Na última sexta-feira (05/08), o Diretório Nacional do partido reuniu-se e aprovou uma resolução que dá “apoio às medidas que o governo Dilma - dando continuidade ao que fazia o governo Lula - adota contra a corrupção”.

De janeiro a julho deste ano, já foram exonerados 328 funcionários públicos por envolvimento em atos irregulares, sobretudo por corrupção, segundo a Controladoria Geral da União (CGU), que divulgou o dado na última sexta-feira (05/08). Só em julho, foram 98 afastamentos, graças ao festival de demissões na área de transportes. Os dois números são recordes, diz a CGU.

Uma outra informação divulgada nos últimos dias ajuda o Planalto a tentar reforçar a imagem de rigor. A Receita Federal e a Polícia Federal deflagraram uma ação descrita pela primeira como “a maior operação conjunta de combate à corrupção da história da corregedoria da receita”. A operação "Paraíso Fiscal" desbaratou um esquema envolvendo fiscais da Receita em Osasco (SP) que pode ter causado prejuízo de R$ 3 bilhões aos cofres públicos.

Futuro de Rossi
A manifestação de confiança de Dilma no ministro da Agricultura não garante a permanência dele no cargo. Na crise dos Transportes, a presidenta também chegou a expressar, via assessoria, “confiança” no ex-ministro Alfredo Nascimento, o que não impediu que, apenas três dias depois, ele saísse.

A situação de Rossi, contudo, é diferente. Ele é indicado pelo vice de Dilma, Michel Temer. E pertence a um dos dois maiores partidos governistas, o PMDB. O partido tem 80 deputados (total: 513) e 20 senadores (total: 81). O PR do ex-ministro dos Transportes é mais modesto (40 deputados e seis senadores), o que ajudou Dilma a ser mais rigorosa.

Além disso, Rossi não despertou, ainda, gana dos adversários de Dilma. No último dia 3, o ministro foi ao Congresso, defender-se da acusação de corrupto disparada por um ex-diretor da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) demitido exatamente por ser pego em irregularidade, e nenhum inimigo de Dilma questionou o ministro pelos fatos que lhe foram imputados. Eles optaram por defender a criação de uma genérica CPI da Corrupção para apurar casos que, acreditam, estariam se avolumando.

Por ora, a impressão da oposição de “mar de lama” parece não atingir a popularidade de Dilma – ou o rigor presidencial estaria servindo de antídoto. Segundo pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (07/08), Dilma tem 48% de ótimo e bom, 39% de regular e 11% de ruim e péssimo - o resto não opinou. Índices praticamente idênticos aos registrados anteriormente, em junho.

Apesar do refresco dado a Rossi, a oposição vai tentar forçar uma nova ida dele ao Congresso, agora na condição de convocado – o comparecimento anterior tinha sido voluntário. O PPS informou, no último sábado (06/08) que pedir a convocação de Rossi a uma comissão da Câmara.


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