O vice-prefeito de Campos dos Goytacazes, Roberto Henriques, tomou posse após o prefeito da cidade, Alexandre Mocaiber, ter sido afastado do cargo por 180 dias, por decisão da Justiça..
Ao assumir o cargo, Roberto Henriques anunciou novos secretários e nomeou o novo procurador-geral do município, Luciano Nóbrega, que ficou no lugar de Alex Pereira Campos, preso na terça-feira durante uma operação da Polícia Federal no município.
O prefeito, o ex-procurador-geral do município, e mais 13 pessoas são suspeitas de participar de um esquema de superfaturamento de obras, fraudes em licitações e formação de quadrilha. Segundo a PF, essas fraudes teriam provocado um rombo de R$ 240 milhões nos cofres públicos e teriam envolvido quase 20 mil trabalhadores terceirizados, que, sem saber, tiveram contratos de trabalho superfaturados.
Dentre os novos secretários anunciados pelo prefeito em exercício estão Licínio Corrêa da Silva, como secretário de Administração, no lugar de Carlos Morales; Maria Auxiliadora Freitas, secretária de Educação, substituindo Elizabeth Landim; e o jornalista, Avelino Ferreira, como presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), em lugar de Luciana Portinho.
Os 14 presos na operação Telhado de Vidro, deflagrada pela Polícia Federal, prestaram depoimento na Superintendência Regional da Polícia Federal, na Zona Portuária do Rio.
Entre os presos estão o secretário de Obras de Campos, José Luis Púglia, o ex-procurador-geral do município Alex Pereira, o ex-gerente de Desenvolvimento do município, Edílson Quintanilha, e o empresário Ricardo Pimentel, que seria o coordenador do esquema de fraudes.
Treze deles tiveram mandados de prisão temporária expedidos pela 1ª Vara de Campos, que prevê reclusão por período de cinco dias. As informações são da assessoria da PF, que explica que, passado esse prazo, o mandato de prisão poderá ser renovado por decisão judicial.
O décimo quarto preso, o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros de Campos, Eduardo Ribeiro Neto, não tinha mandato de prisão expedido em seu nome, mas foi preso em flagrante por porte ilegal de armas e terá caso avaliado pela justiça nos próximos dias.
Ao todo, a operação cumpriu 13 dos 15 mandados de prisão expedidos pela Justiça. Duas pessoas estão foragidas. Todos os trinta mandatos de busca e apreensão foram executados. Os policiais vasculharam a casa do prefeito, onde apreenderam três computadores e vasta documentação.
A operação contou com 150 agentes da PF e investiga fraudes em licitações públicas para a contratação de servidores terceirizados e para a promoção de shows contratados pela prefeitura de Campos.
Dois presidentes de fundações que supostamente atuavam em cumplicidade com os suspeitos estão entre os presos - os dirigentes da Fundação José Pelúcio e o da Cruz Vermelha em Nova Iguaçu. De acordo com o superintendente da PF no Rio, Valdinho Jacinto Caetano, as duas organizações, de caráter filantrópico, eram usadas para a contratação superfaturada de pessoal.
– Ao invés de haver uma licitação para uma empresa participar do certame e fazer a contratação de servidores terceirizados para a prefeitura, fazia-se o desvio disso pra uma dessas instituições e fazia-se a contratação com isenção de tributos. Ainda assim, o montante pago era superfaturado. O prefeito certamente está na investigação. Certamente saberia do esquema. Em razão do foro privilegiado, ele sobe ao tribunal, que decidirá o que fazer, explica o superintendente.
Vice assume em Campos e muda Secretariado
Quarta, 12 de Março de 2008 às 06:49, por: CdB