Rio de Janeiro, 30 de Outubro de 2026

Viana defende direito de Renan lutar por seu mandato

Quinta, 29 de Novembro de 2007 às 10:31, por: CdB

– Eu acho que não se pode tirar o direito do senador Renan Calheiros de lutar, com todas as forças que lhe sejam possíveis, no sentido de defender a sua absolvição —, disse nesta quinta-feira o presidente interino do Senado, Tião Viana, quando indagado a respeito dos votos que o presidente licenciado da Casa garimpa para ser inocentado. Renan Calheiros será julgado, em Plenário, na próxima terça-feira  sob a acusação de que se utilizou de terceiros para comprar veículos de comunicação em Alagoas.

Tião Viana foi questionado sobre a movimentação de Renan. Um jornalista disse que uma câmera filmou o presidente licenciado, em Plenário, anotando numa folha de papel os votos que lhe são favoráveis. Tião Viana comentou que, como todo acusado, Renan tem o direito de trabalhar em favor da absolvição.

– Porque é nisso que ele acredita e é por isso que ele tem o direito de lutar. Do mesmo modo, aqueles que acham que deve haver um ato condenatório, têm que se movimentar também.

Perguntado se há clima mais forte para absolver Renan?, o senador disse não querer entrar no debate, "pela condição de estar presidindo interinamente o Senado".

– Prefiro deixar esse assunto com a consciência de cada parlamentar, com a visão que cada um tem da instituição e com o que cada um entende ser um ato de justiça a ser praticado por cada senador, disse.
Sobre uma possível renúncia de Calheiros à presidência da Casa, Tião lembrou que, em seus diálogos com o alagoano, "quando o assunto é o julgamento dele, sempre evitamos falar, por uma questão de respeito".

Tião foi também indagado sobre a possibilidade de a votação referente à prorrogação da CPMF misturar-se com o julgamento de Renan Calheiros. Isso porque há movimentações na Casa para que a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prolonga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira ocorra dois dias depois do julgamento de Renan.

– Quando se misturarem essas duas situações, nós vamos prejudicar a Casa, vamos prejudicar o Senado. Acho que um julgamento sobre ética que envolva consciência parlamentar, que envolva uma visão sobre a instituição, não pode se misturar com uma agenda que é de interesse do Brasil, que diz respeito ao financiamento de programas sociais, da saúde do povo brasileiro. Separar essas duas coisas é sempre um bom caminho para quem quer a maturidade institucional. Acho que não é bom para a instituição que um julgamento sobre ética se misture com um assunto que é da ordem do dia da sociedade brasileira, concluiu.

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